Inicialmente pensado como um documentário, mas rapidamente abandonado pelo perigo que a temática representaria a quem desse a cara, a romena Teodora Mihai avançou para “La Civil”, ficcionalizando com a ajuda do escritor Habacuc Antonio De Rosario (que é do norte do México e conhece bem a questão) a história de Miriam Rodríguez Martínez , uma mãe que perseguiu os responsáveis pelo sequestro e assassinato da sua filha de 14 anos.
“Queria contar esta história a partir do ponto de vista desta mãe torturada pela situação de ter perdido a sua filha e não fazer ideia do que se passou. Não tinha interesse em mostrar o ponto de vista de todos os intervenientes. Esta era a sua história, a sua psicologia perante todo este pesadelo.”, explicou-nos a cineasta que entre o drama e thriller carbura durante duas horas um filme duro, às vezes violento e sempre reflexivo sobre a realidade mexicana atual, a qual se encaixa num outro conjunto de obras locais (Nova Ordem; Noche de Fuego; Nudo Mixteco; The Hole in The Fence; e La Caja) – que mostram a delicada condição da população no país.
Claro está que ao focar-se na personagem da mãe, que perante a inércia da polícia e do seu ex-marido é obrigada a agir, uma das grandes forças do filme reside na atriz Arcelia Ramirez, “uma mulher em fúria”, sempre ciente das suas limitações, que nunca abandona a sua consciência social em nome do entretenimento estilizado com algum culto da violência à mistura.
Na verdade, esta figura maternal engenhosamente vai jogando as suas cartadas num tabuleiro onde múltiplas peças estão ligadas ao desaparecimento, traçando um retrato implacável de uma única história, mas que se sente universal. E é por entre as sombras e a luz que esta mulher vai seguindo a sua marcha sem necessariamente estar agarrada à história original que a inspirou, levando o espectador numa viagem sempre nervosa, e onde as questões mais que originarem respostas, levantam hipóteses. E isso é esplendorosamente conseguido no final dúbio e incerto.




















