Paper Tiger: o rugido do sonho americano

(Fotos: Divulgação)

De regresso à corrida pela Palma de Ouro, em disputa pelo prémio pela sexta vez desde 2000, James Gray encara Paper Tiger como um olhar sobre a génese histórica da sacralização do capitalismo nos anos 1980. “Estive na URSS em 1984 e era uma confusão. Depois, em 1986, após Chernobyl, a União Soviética acabou por se dissolver e, nesse momento, a década de 1980 tornou-se o período em que o mercado passou a ser um deus. Até o carácter começou a ser monetizado”, disse Gray em Festival de Cannes, na conferência de imprensa do filme, antes de detalhar o universo da sua narrativa. “Nova Iorque faz parte dos EUA, mas ali sentem-se as camadas da História. O sonho americano liga-se à cidade. Não creio que seja uma ilusão. Toda a nação precisa de um objetivo colectivo para avançar”.

A trama acompanha a armadilha em que os irmãos Pearl, Gary e Irwin (Miles Teller), se envolvem após entrarem num esquema criminoso com uma célula da máfia russa. Scarlett Johansson surge como um secundário de luxo, interpretando Hester, mulher de Irwin, também confrontada com adversidades.

“Tivemos apenas algumas semanas de ensaio, sem grande espaço para improvisação, mas a Scarlett e eu já tínhamos filmado juntos antes, o que facilita a interação”, disse Adam Driver em Cannes.

Reconhecido pela precisão dos seus enquadramentos, Gray afirmou-se no início dos anos 1990 ao conquistar o Leão de Prata em Veneza com Little Odessa (1994), dirigido a Tim Roth e Vanessa Redgrave.

“Um dos maiores elogios que posso receber é ouvir que o meu cinema tem coerência. Se há algo a expressar, isso vai repetir-se. Será sempre o mesmo filme, de certa forma. Não sei se amadureci como outros cineastas, porque continuo muito ligado ao que faço”, afirmou Gray, rodeado por produtores de várias nacionalidades.

Entre eles está o brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, vencedor do Óscar por Ainda Estou Aqui, que sublinha a cinefilia do realizador. “Ele pode passar quatro horas a falar de filmes, e isso transforma-se numa verdadeira aula”, disse Teixeira.

O Festival de Cannes decorre até 23 de maio.

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