Cinco anos depois de ter conquistado o Premio da Crítica Fipresci por “High Life“, em San Sebastián, a realizadora francesa Claire Denis regressa ao evento Basco para comandar o júri da Concha de Ouro de 2023. Neste sábado (30/9) serão anunciados os vencedores e Claire lidera um time de jurados que inclui a atriz chinesa Fan Bingbing; a produtora e diretora colombiana Cristina Gallego; a também francesa Brigitte Lacombe, fotógrafa; o realizador alemão Christian Petzold; o produtor húngaro Robert Lantos; e a estrela espanhola Vicky Luengo.
Essa plêiade de artistas tem 16 longas-metragens para avaliar. Os mais elogiados pela crítica internacional até aqui são “Puan”, de María Alché e Benjamin Naishtat; “All Dirt Roads Taste of Salt”, de Raven Jackson; “Un Amor“, de Isabel Coixet; e “Le Sucesseur”, de Xavier Legrand. Prestes a finalizar um novo guião, para rodar em 2024, a cineasta conversou com o C7nema sobre a tarefa, e falou sobre a estreia no Brasil de “Stars at Noon“.
Qual é o maio desafio de se presidir um júri num festival do porte de San Sebastián?
Ser jurada é sempre uma vivência diferente a cada evento e cada corpo de júri. Há sempre o medo de alguém não se dar bem com alguém. Não foi o caso aqui. Nós concordamos bastante nas nossas visões. Mas o mais interessante é o facto de eu estar ao lado de pessoas que vieram de partes diferentes do mundo.
De que maneira já se nota uma mudança na dramaturgia do cinema com o aumento recente do número de mulheres realizadoras?
Há uma nova História no ar. Quando comecei, o número de realizadoras era menor, mas nunca me senti sem uma interlocução. Hoje, ainda que mais mulheres estejam a filmar suas história, nós ainda temos que nos impor para fazer as nossas ideias prevalecerem.
Qual é a mudança processual que mais te surpreende no cinema feito hoje?
Existem filmes feitos há anos, como “Chocolat“, que fiz em 1988, e que parecem mais atuais hoje do que na época em que foram lançados. Isso ocorre porque o mundo mudou. O mundo está a mudar, sobretudo a partir da covid-19. Hoje, na realização de um filme, há uma facilidade garantida pelo uso das ferramentas digitais que não havia nos tempos em que comecei. Antes, com película, no cinema analógico, todo e qualquer problema de um filme tinha de ser previsto e resolvido no set. Hoje, se algo sai mal existe a hipótese de se resolver tudo num trabalho de pós-produção digital. Isso acomodou a arte.
Laureado com o Grande Prémio do Júri de Cannes em 2022, “Stars at Noon” acaba de estrear no Brasil, mas foi diretamente para plataformas de streaming. Como foi a filmagem na América Latina?
Doeu-me um pouco saber que vendi o filme para distribuição em salas e ele acabou nas plataformas. Acredito que é uma longa-metragem capaz de comover as pessoas. Tive pouco tempo para encontrar as locações, no Panamá, pois não pude filmar onde queria, na Nicarágua, por questões de segurança. Mas o elenco local foi maravilhoso e Margaret Qualley está cheia de graça em cena.

