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«Mission: Impossible - Rogue Nation» (Missão Impossível: Nação Secreta) por Hugo Gomes

Um excelente trabalho de produção, é aquilo que podemos tirar partido desta quinta aventura do agente da IMF Ethan Hunt, novamente envolvido em conspirações globais e golpes sob o adjetivo de "impossível". Aliás, a estrela, Tom Cruise, é um dos responsáveis pela produção deste Rogue Nation (Nação Secreta), ao lado de J.J. Abrams, o homem multifunções que atribuiu a esta saga o seu "quê" de modernismo durante o terceiro filme. Ambos convertem-se em artesãos num filão globalizado e preenchido com sequências de ação prolongadas e feitas para perdurar na imaginação do espectador ... Pelo menos até pouco minutos após o visionamento.

Trata-se do regresso do absurdismo de Mission: Impossible II, porém, sem a marca autoral de John Woo e a sua respetiva sofisticação circense. Como resultado disso, Rogue Nation absolve-se como um filme isento de personalidade que se esgota ao fim de 30 minutos de duração; um espectáculo consumido e de digestão fácil que abusa em demasia nos seus atributos tecnológicos, em particular à cumplicidade dos CGI com as sequências de ação, dando um cariz artificial quase digno de alguns dos mais competitivos videojogos. Em tempos em que o regresso de Mad Max demonstrou que é possível fabricar acção orgânica para grandes massas, Mission Impossible: Rogue Nation é pura batotice, mesmo que Cruise nos apresente esforçado, algo pelo qual é conhecido.

Sucedendo a Brad Bird, Christopher McQuarrie tenta anexar algum humor sarcástico ao protagonista, assim como havia feito em Jack Reacher, aquela variação do policial "sem papas na língua" dos anos 70 que resultou num filme despretensioso, fluido e acima de tudo modesto - que infelizmente, não conquistou o público em geral. Este salto para uma produção colossal como este Mission Impossible colocou-o no mapa de Hollywood, sem se aperceber que tal pretensioso ato poderá ser, popularmente falando, na morte do "artista".

Contudo, Rogue Nation reserva-nos uma pequena sofisticação, que por si só cairá no modelo do marketing propagandista: a aposta nas personagens femininas que, ao invés de servir, como acontecera nos capítulos anteriores, em protótipos de "Bond girl", evidenciamos mulheres fortes ao comando da ação,: Rebecca Ferguson (que foi tal mal aproveitada em Hercules) é um deleite que transforma Tom Cruise na verdadeira "dama em apuros". Mesmo assim, os desperdícios são vários: Simon Pegg está limitado ao sidekick cómico; Ving Rhames está demasiado delimitado para continuar; Jeremy Renner, que possuía algum potencial em Ghost Protocol, revela-se uma personagem fragilizada e ausente; Sean Harris é um vilão promissor, envolvido num anti-climax dececionante (J.J. Abrams havia concretizado melhor a relação entre herói / vilão).

Nisto, verdade seja dita. Alec Baldwin é acima de tudo Alec Baldwin, por mais que se tente denegrir o homem, ele é puramente carismático. São os poucos atributos que o espectador poderá contar neste produto industrializado. E falando em organizações secretas de "maus da fita", Mission Impossible: Rogue Nation funciona de certo modo como uma compensação precoce para quem aguarda impacientemente por Spectre, essa quarta aventura de Daniel Craig na pele do mais célebre agente secreto da história do cinema.

O melhor - O empenho e a personagem de Rebecca Ferguson
O pior - Se a saga era pontuada pelas suas marcas autorais, este capitulo é o mais industrializado e homogéneo de toda a franquia..


Hugo Gomes



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