Respeitado há três décadas como a mais volumosa e prestigiante montra de documentários da América Latina, o festival É Tudo Verdade arranca a programação da sua 31.ª edição esta quarta-feira, quando a Cinemateca Brasileira acolher a exibição de Bowie: The Final Act (2024), de Jonathan Stiasny.
Na quinta-feira tem lugar a abertura no Rio de Janeiro, com destaque para VIVO 76 (2024), obra de natureza musical dedicada ao cantor, compositor e cineasta Alceu Valença. A projeção decorre no Estação NET Rio, com duas sessões adicionais no sábado, no mesmo local, que funciona como sede carioca do festival.
Realizado por Lírio Ferreira, VIVO 76 (2024) constitui uma estreia há muito aguardada em Portugal. O argumento propõe uma viagem simultaneamente lisérgica e documental pelo universo de Alceu Valença, celebrando os cinquenta anos de um disco editado em 1976 que se tornou marco incontornável da psicadelia brasileira e da resistência cultural. A partir de arquivos raros e encontros contemporâneos, o realizador revisita a matriz criativa pernambucana que funde tradições rítmicas com pulsões vanguardistas, afirmando o músico como figura central do underground sul-americano.
Até dia 19, o festival apresenta 75 filmes provenientes de 25 países. Entre os títulos mais aguardados no Rio destaca-se Mestre Zu (2024), de Zelito Viana, com três sessões previstas este domingo e forte expectativa mediática. O filme constrói-se a partir de um encontro na casa do realizador, reunindo jornalistas, familiares e amigos de Zuenir Ventura, autor de obras como 1968 – O Ano Que Não Acabou e Cidade Partida.
A selecção competitiva deste ano apresenta-se particularmente sólida. O júri da competição brasileira integra Carol Benjamin, Helena Tassara e Eryk Rocha. Já o júri internacional reúne Heloisa Passos, Ricardo Casas e Vivian Ostrovsky.

Aos 80 anos, Vivian Ostrovsky é também alvo de uma retrospetiva, com curadoria de Fernanda Pessoa, que percorre quatro décadas da sua obra através de 14 filmes rodados em mais de dez países. Entre os destaques figura Copacabana Beach (1983), a par da estreia de V.O. por F.P. (2024), filme biográfico inédito assinado pela própria Pessoa.
Na competição brasileira de longas e médias-metragens figuram títulos como Apocalipse Segundo Baby (2024), de Rafael Saar; A Fabulosa Máquina do Tempo (2024), de Eliza Capai, oriundo da 76.ª Berlinale; Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha (2024), de Luis Abramo e Pedro Rossi; Patrulha Maria da Penha (2024), de André Bomfim; Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas (2024), de Carlos Adriano; Retiro – A Casa dos Artistas (2024), de Roberto Berliner e Pedro Bronz; e Sagrado (2024), de Alice Riff.
Já a competição internacional inclui obras como Atlas do Desaparecimento (2024), de Manuel Correa; Benita (2024), de Alan Berliner; Closure (2024), de Michał Marczak; Diciembre (2024), de Lucas Gallo; Entre Irmãos (2024), de Tom Fassaert; Um Filme de Medo (2024), de Sergio Oksman; Fordlândia Panacea (2024), de Susana de Sousa Dias; Mamá Está Acá (2024), de Adriana Loeff e Claudia Abend; My Father And Qaddafi (2024), de Jihan K; The Eyes Of Ghana (2024), de Ben Proudfoot; Shootin (2024), de Netalie Braun; e Tombeau de Glace (2024), de Robin Hunzing.

