“Fjord” dá a Cristian Mungiu a sua segunda Palma de Ouro

(Fotos: Divulgação)

Democrático no seu ataque às esquerdas, às direitas, aos wokes e aos conservadores, Fjord deu a Cristian Mungiu a sua segunda Palma de Ouro, 19 anos depois da consagração de 4 Months, 3 Weeks and 2 Days (2007), pedra angular da vaga romena hoje reverenciada nas grandes mostras. O filme já havia sido distinguido com o Prémio FIPRESCI e o Prémio do Júri Ecuménico antes de conquistar o troféu máximo do júri oficial, presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook (Oldboy).

“Eu não interfiro muito na luz, pois deixo o ambiente mostrar-me o que é ambíguo. Todos temos dualidades, mas alguns preferem agir como manada, em obediência, a julgar sem poder debater”, disse Mungiu ao C7nema, em Cannes.

O júri da Palma de Ouro contou, além de Park, com a presença do cineasta chileno Diego Céspedes, do ator marfinense Isaach de Bankolé, do argumentista irlandês-escocês Paul Laverty, da atriz norte-americana Demi Moore, da atriz etíope-irlandesa Ruth Negga, do ator sueco Stellan Skarsgård, da cineasta belga Laura Wandel e da realizadora chinesa Chloé Zhao. O Grand Prix foi atribuído a Minotaur, também centrado nas incongruências morais russas. Antes da revelação dos prémios, Cannes distinguiu Barbra Streisand com a terceira Palma Honorária de 2026, depois de John Travolta e Peter Jackson.

Os primeiros vencedores anunciados foram Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, dupla protagonista de Coward, premiados pela sua atuação num cenário de trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Seguiu-se o prémio de Melhor Argumento para Emmanuel Marre por Notre Salut, centrado na França ocupada em 1940.

Na categoria de Melhor Atriz, houve uma decisão ex aequo, com Tao Okamoto e Virginie Efira distinguidas por Soudain. The Dreamed Adventure, de Valeska Grisebach, arrecadou o Prémio do Júri pela sua desconstrução do thriller num contexto de máfia na Bulgária.

O Prémio de Realização foi atribuído aos espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi, por La Bola Negra, e ao polaco Pawel Pawlikowski por Fatherland. Trata-se de uma narrativa centrada na vida do escritor Prémio Nobel Thomas Mann após o suicídio do filho, acompanhando uma viagem que realiza com a filha.

A Argentina celebrou a Palma de Curta-Metragem atribuída a Para Los Contrincantes, de Federico Luis, enquanto o Ruanda foi distinguido com a Caméra d’Or por Ben’Imana, de Marie Clémentine Dusabejambo.

Palmarés de Cannes 2026
Palma de Ouro: Fjord, de Cristian Mungiu
Grande Prémio do Júri: Minotaur, de Andrey Zvyagintsev
Prémio do Júri: The Dreamed Adventure, de Valeska Grisebach
Melhor Realização: Javier Calvo e Javier Ambrossi, por La Bola Negra
Melhor Argumento: Notre Salut, de Emmanuel Marre
Melhor Atriz: Tao Okamoto e Virginie Efira, por Soudain
Melhor Ator: Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, por Coward
Caméra d’Or: Ben’Imana, de Marie Clémentine Dusabejambo
Palma de Curta-Metragem: Para Los Contrincantes, de Federico Luis
Documentário: Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani
Queer Palm: Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun
Prémio do Júri Ecuménico: Fjord
Prémio FIPRESCI: Fjord

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