Inicialmente referenciada como uma das protagonistas do próximo filme de Bruno Dumont, “L’Empire“, Adèle Haenel acabou por afastar-se da produção sem grandes explicações. Porém, há duas semanas, numa entrevista ao italiano Il manifesto, a estrela de “Retrato de Uma Rapariga em Chamas” explicou porque se afastou do cinema nos últimos anos, recusando no futuro trabalhar com nomes estabelecidos na 7ª arte. Nessa conversa, a atriz disse que iria continuar a apostar no teatro e apenas trabalhar com novos autores no cinema, abrindo a exceção a uma eventual nova colaboração com Céline Sciamma, mas só se o modelo de negócio da produção cinematográfica não fosse industrial.
Agora, numa nova entrevista ao Révolution Permanente, a principal instigadora do movimento #MeToo em França detalhou a sua posição política, explicando que o seu pensamento está em linha com o movimento liderado por Anasse Ka: “Na indústria cinematográfica atual não há esperança […]. Dizem todos que lutam contra o sexismo, mas na realidade nada mudou.(…) Tenho me mobilizado em questões sobre feminismo e violência sexual. Através de uma forma de contágio, percebemos que os sistemas estão interligados”.
Para Adèle, o sistema capitalista é totalmente incompatível com o feminismo que defende. “Há um ano não me definia como anticapitalista. Mas graças ao trabalho dos lideres da Révolution Permanente e do Anasse, as suas ideias realmente entraram na minha cabeça e coração. Agora, parece-me óbvio que nenhuma estruturação é possível dentro do capitalismo e que outro sistema deve ser implementado”, disse Adèle numa carta de apoio a Anasse, em março passado.
Questionada no programa sobre a campanha presidencial francesa que recentemente terminou, Adèle definiu-a como “abominável”, acrescentando: “Há grandes problemas que surgem no dia a dia, questões da ordem da sobrevivência da humanidade e vieram falar de islamo-esquerdismo [quando surgiu o Anasse]. Este mundo não é habitável sob o capitalismo. É óbvio. Este sistema deve ser derrubado, tem de ser. A Révolution Permanente fez essa pergunta. Não temos escolha. É preciso outro mundo.“

