Criticas do Fantasporto: ‘Possessed’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

So-jin (Shim Eun-gyung, ‘Hansel and Gretel’) é uma jovem que desaparece do seu apartamento, deixando a sua irmã, Hee-jin (Nam Sang-mi, ‘The Spy Girl’), e a mãe, (Kim Bo-yeon, ‘Love and Marriage’) extremamente preocupadas. Mas se a primeira busca passa pelas autoridades policiais, através do detective Tae-hwan (Ryu Seung-ryong, ‘My Girlfriend is an Agent’), a segunda refugia-se na sua fé católica, levando as suas acções a extremos quase fundamentalistas.

Quando os vizinhos da pequena So-jin começam a cometer suicídios bizarros, aparentemente guiados pela desaparecida criança, o filme ganha contornos paranormais, intrigando a polícia e levantando questões que tanto podem passar pela religião católica como pelo xamanismo.

“Possessed”, ou “Living Death” é um filme intrigante que, apesar de ter os seus momentos de susto típicos do cinema de terror, nos prende mais pelo ambiente misterioso que apresenta. Assim, estamos sempre tensos durante a sua projecção e com a sensação que há alguma peça que falta para completar este puzzle.

Realizado por Lee Yong-ju, um arquitecto, “Possessed” acaba por ser uma lufada de ar fresco no habitual cinema de horror coreano, repleto de maldições e raparigas fantasmas sempre prontas a aterrorizar. Ao fugir dos habituais clichés dessas obras, o filme ganha uma maior consistência, unicidade e multidimensionalidade, tradicional às obras coreanas. Não estamos perante uma mera obra de um género só, o filme mergulha fundo no drama familiar com elementos que nos fazem temer pelas protagonistas.

Como tal, e sem nunca esquecer o lado estético mas não sobrecarregado (habitual em ex-arquitectos ou gente que vem de outras artes), “Possessed” acaba por ser uma fita muito interessante de se ver, que só peca pelo seu final, aí sim já demasiado visto em outras obras.

De qualquer maneira, é impossível não dizer que Lee Yong-ju se pode bem tornar no Kiyoshi Kurosawa coreano, pois é indesmentível que o ambiente criado é muito derivativo das obras deste autor japonês.

O Melhor: O ambiente constantemente tenso de toda a obra
O Pior: A recta final deixa a desejar

Base
“Possessed” acaba por ser uma lufada de ar fresco no habitual cinema de horror coreano, repleto de maldições e raparigas fantasmas sempre prontas a aterrorizar…7/10

 
Jorge Pereira

 

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