Fantasporto 2010: Os efeitos de Colin Arthur

(Fotos: Divulgação)

Uma carreira de efeitos visuais

O veterano dos efeitos de maquilhagem Colin Arthur esteve presente no Fantasporto para uma “Masterclass!” de dois dias (o outro convidado, David Marti de “O Labirinto do Fauno”, acabou por cancelar), onde revelou alguns dos segredos da profissão e recordou também uma carreira de mais de 40 anos.

O seu currículo inclui clássicos como “Jason and the Argonauts” e “2001: A Space Odissey” como um jovem assistente de maquilhagem. No “boom” da sua carreira criou as criaturas de “The Neverending Story”, “Conan” e “Clash of the Titans” e também trabalhou no andróide de “Alien”. Mais recentemente, já sediado em Espanha, fez criações para diversos filmes como “Abre los Ojos”, a epifania da ficção científica espanhola assinada por Alejandro Amenabar, ou o português “Morrer como um Homem”. Nesta fase, celebrizou-se mais pelos trabalhos no anúncio “Anjos” da Superbock ou no anúncio da Kangoo com um rinoceronte.

Na Masterclass, Arthur recriou alguns dos efeitos de maquilhagem mais tradicionais (feridas, tiros, próteses e houve inclusive lugar para uma explosão de sangue) mas revelou também alguns segredos profissionais. Tendo dedicado toda a vida estes efeitos, ele confessou que considerava que nesse departamento os criativos mais decisivos eram “os escultores, pois estes tem o lado mais físico de todos dentro do mundo dos efeitos visuais”.

Colin Arthur recordou também alguns dos projectos mais difíceis em que trabalhou, como “Clash of the Titans” onde o número de criaturas exigidas era excessivo para o tempo disponível. Ele explicou também que o uso excessivo de “stop-motion” que torna este filme tão bizarro a nível de efeitos foi uma decisão criativa dos produtores

Mas confessou que a única má experiência profissional que teve foi com Eduardo Norriega em “Abre los Ojos”, filmagem que só aguentou por amizade ao realizador Alejandro Amenabar.

Recordando Stanley Kubrick

Colin Arthur recordou o seu primeiro trabalho para cinema: a maquilhagem para os “homens-primitivos” da mítica sequência de abertura de “2001: A Space Odissey”, o clássico incontornável de Stanley Kubrick.

O técnico entrou para a equipa do filme com apenas 23 anos graças à sua experiência no Museu de Cera Madame Tussaud em Londres. Ele recorda que Kubrick era um realizador brilhante mas muito exigente e que tinha uma ideia muito definida de como queria inventar o homem das cavernas.

Kubrick deu como referência os primatas bípedes encontrados em África e queria que eles fossem muito primitivos no aspecto e com feições ainda mais vincadas que os primatas que se encontram nos dias de hoje. Na altura não havia ainda uma ideia muito definida da evolução do Homem e o conceito das nossas origens intrigavam o autor.

O trabalho em torno das criaturas levou 10 meses até ser aprovado pelo realizador. Arthur recorda que os primeiros testes de máscara saíram muito semelhantes aos dos protagonistas de “O Planeta dos Macacos” que viria a surgir poucos anos mais tarde. Ao ver estas propostas, Kubrick não gostou pois queria que o focinho dos primatas fosse mais saído. Isto criou grandes problemas de concepção, especialmente ao nível dos movimentos do rosto.

No final das filmagens, o realizador pediu que as 32 máscaras criadas fossem destruídas mas 3 foram roubadas. Uma delas esteve presente no teatro Rivoli e as outras 2, conta Arthur, “devem ter servido de inspiração para a equipa de ‘O Planeto dos Macacos’ pois o trabalho técnico de execução é muito semelhante”.

O veterano da maquilhagem contou ainda mais algumas histórias por detrás de “2001”, desde como os cenários eram ovalizados e rotativos para que os actores andassem sem se mexer até à curiosa concepção da cena da caneta voadora (a qual estava pousada numa mesa de vidro enquanto todo o resto do cenário estava deitado por debaixo).

José Pedro Lopes

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