“El Ser Querido” mobiliza debates éticos

(Fotos: Divulgação)

Primeiro trabalho da ascendente carreira de Rodrigo Sorogoyen a ser nomeado à Palma de Ouro, El Ser Querido abriu um debate acalorado sobre aceitação durante a conferência de imprensa em Festival de Cannes. A fervura espelha a alta temperatura que marca a relação entre um cineasta e a sua filha, vividos por Javier Bardem e Victoria Luengo, na trama escrita por Isabel Peña e Sorogoyen.

“Estou a tentar ser mais empático a cada dia. Estou a ficar mais velho, cada vez mais velho, e noto que certos factos não mudam. O genocídio em Gaza é um facto. Posso ajudar de forma humilde trazendo esse assunto à baila. A mobilização muda situações. É importante poder olhar ao espelho e estar afinado com a sua ética”, disse Bardem, em referência ao seu posicionamento sobre o conflito entre Israel e Palestina.

Sorogoyen e a argumentista Isabel Peña deram ao C7 uma síntese do seu processo criativo com dois colaboradores habituais: o diretor de fotografia Álex de Pablo e o montador Alberto del Campo. “Estamos juntos há 14 anos e falamos muito sobre a narrativa, mas há um diálogo específico com cada um, conscientes de que ambos formam connosco os pilares do que criamos”, disse o realizador, referindo-se à sua equipa, presente desde Que Dios Nos Perdone (2016).

Isabel destacou os desafios enfrentados: “A liberdade que procurámos aqui era um convite à incerteza”.

O que se desenha ao longo das duas horas e 15 minutos de El Ser Querido é um tenso acerto de contas entre o aclamado realizador Esteban Martínez (Bardem) e a sua filha atriz, Emilia (Victoria), que se reencontram no set após vários anos de afastamento. O enredo explora os bastidores da filmagem de um longa-metragem em Fuerteventura, intitulado Desierto, cuja ação decorre no Saara Ocidental dos anos 1930.

“O Cinema permite que as personagens digam o que queremos e nem sempre podemos”, afirmou Victoria Luengo. “Enviava áudios ao Rodrigo Sorogoyen, como se estivesse a abrir-me a um analista. Não queria que esta personagem se limitasse ao conflito entre pai e filha. Encontrámos liberdade assim”.

Bardem saudou Thierry Frémaux pela presença de três longas espanholas na competição. “Estamos muito presentes e orgulha-me a qualidade técnica do nosso cinema”, disse o ator. “A minha mulher (a atriz Penélope Cruz) está num desses filmes (La Bola Negra) e já não falo com ela, pois somos rivais aqui”, brincou.

O Festival de Cannes decorre até 23 de maio.

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