John Malkovich está em Lisboa para encarnar «Casanova»

(Fotos: Divulgação)

As filmagens de As Variações de Giácomo começam no próximo domingo e decorrerão durante todo o mês de agosto na capital portuguesa. John Malkovich será o protagonista, na sua sexta colaboração com o produtor Paulo Branco. Ambos fizeram parte da conferência de imprensa realizada ontem (26/07) no Teatro Nacional São Carlos – cenário, aliás, da maior parte do filme. O realizador Michael Sturminger e as atrizes Maria João Bastos e Lola Naymark também marcaram presença no evento. Ausente na conferência, o cantor Jonas Kaufmann será uma das estrelas musicais.

O filme é uma coprodução entre Portugal, Áustria e Alemanha e terá um custo entre € 2,5 e 3 milhões. Paulo Branco destacou a importância dele ser todo filmado em Portugal num momento de crise, pois isso atrai investimentos para o país. Além de Lisboa, mais alguns palacetes espalhados pelo interior também servirão de cenário para as filmagens. O produtor, no entanto, lamentou a decisão de não permitirem filmagens no Palácio de Queluz, ideal para o filme. “Nós convidaremos o António Lamas para a antestreia. Pode ser que ele mude de ideias em futuros projetos“, ironizou.

Em termos artísticos, o conceito é bastante ambicioso – misturando cinema, ópera, teatro e literatura. Na origem da obra está um projeto que vem sendo desenvolvido há mais de dois pelo realizador e o ator principal, que tem circulado pelo mundo com o espetáculo de mesmo nome. O enredo baseia-se no manuscrito deixado pelo próprio Casanova e, em termos musicais, inspira-se em três óperas de Mozart, com libreto de Lorenzo da Ponte: “Cosi fan tutte”, “As Bodas de Fígaro” e “Don Giovani. Esta última, aliás, foi inspirada no verdadeiro Casanova. A história também mistura passado e presente.

John Malkovich sabe cantar

O ator já andou a cantar pelos palcos do mundo afora, embora tenham sido pequenos excertos dentro dos números musicais – normalmente interpretados por grandes cantores de ópera. Questionado se ele sabe cantar, diz que “isso depende da noção que cada pessoa tem do que é cantar. Eu abro a minha boca e vamos ver o que sai.

O ator também reforçou a complexidade deste trabalho. “Isso é uma ópera dentro de uma peça que está dentro de um filme. E quando se começa a fazer algo assim ficamos com um grau de dúvida sobre a nossa capacidade para realizar a tarefa que definimos para nós“. Ao mesmo tempo, salienta a ansiedade decorrente do fato de fazer algo no qual pode não ser bem-sucedido. “Não estou certo de que faria algo se soubesse antes que seria bem-sucedido. Então estou bastante ansioso para começar“.

Depois de dois anos a circular pelo mundo com o espetáculo, o ator não entende haver muita diferença em termos de performance. “Eu nunca vi muita diferença entre atuar no palco ou no cinema. O que muda é o processo. O teatro é uma coisa orgânica, efémera. O cinema é uma representação, uma falsificação desta coisa“.

Fellini não gosta de Casanova

Michael Sturminger fez questão de dizer que é fã do grande realizador italiano Frederico Fellini, da mesma forma que deixou claro que não gosta da sua versão de “Casanova”, obra que o cineasta lançou em 1976 e que tinha Donald Sutherland no papel principal. Por uma razão simples: ele não aprecia a sua personagem. “Fellini mostra logo que Casanova não o interessava, o que é sempre um mau ponto de partida para se contar uma história!”.

Dizendo isso, o cineasta reforça a modernidade do protagonisa, afirmando que ele era osímbolo de um mundo em grande transformação, cada vez mais materialista e hedonista. “No começo de Dom Giovani segundo o libreto de Da Ponte ele disse ‘eu quero ser mestre, eu não quero mais ser servo'”.

A partir daí, ele torna-se completamente diferente porque está sempre a se reinventar, um claro rompimento com o imobilismo do Antigo Regime. Quando ele se lança numa vida de aventura, por exemplo, ele aceita qualquer tipo de trabalho. “Ele é violinista, alquimista, espião, diplomata, muitas coisas. Em alguns momentos ele escreve peças de literatura apenas para fazer fama. Ele está famoso depois da sua fuga da prisão em Veneza, mas ele escreve apenas por dinheiro. Isso é muito moderno“.

O cineasta destacou ainda que Lisboa é uma escolha feliz para ambientar o filme porque sua arquitetura mista a torna uma das mais belas cidades do mundo. “Ao mesmo tempo, nos telejornais ouve-se sempre a falar de crise, o que pode ser verdade. Mas, por outro lado, o que se aqui a andar pelas ruas é uma cidade muito viva e vibrante“, disse.

Atrizes

Maria João Bastos, habitual em produções de Paulo Branco, aqui será uma grande fã de John Malkovich, que faz dele próprio no tempo atual. “Não será muito difícil, pois sou mesmo fã do trabalho dele!“, observou. A atriz francesa Lola Naymark, por sua vez, relatou que sua entrada no projeto deveu-se a um trabalho teatral realizado sob as ordens do próprio Malkovich, dois anos atrás, em Paris.

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