Faleceu aos 90 anos o cineasta, historiador, escritor e professor de cinema Jean Douchet, um dos maiores nomes da crítica cinematográfica francesa.

“Crítica é a arte de amar. É fruto de uma paixão que não pode ser devorada por si mesma, mas aspira o controle de uma lucidez vigilante.“
Jean Douchet, na Cahiers du Cinéma em 1961
Nascido a 19 de janeiro de 1929 em Arras, Pas-de-Calais, Jean Douchet estudou Filosofia. Depois de começar na La Gazette du Cinéma, em 1957, Eric Rohmer leva-o para a Cahiers du Cinéma, mas após um conflito com Jacques Rivette, que temia a chegada de uma nova geração de críticos, incluindo Barbet Schroeder e Serge Daney, Douchet deixou a redação, juntando-se a Schroeder e Rohmer na produtora Les Films du Losange.
Autor de trabalhos sobre a Nouvelle Vague, Alfred Hitchcock, Mizoguchi e F.W Murnau, Douchet deu aulas no Institut des Hautes Études Cinématographiques (Idhec) e depois na La Fémis, marcando muitos cineastas como François Ozon, Emilie Deleuze, Arnaud Desplechin, Noémie Lvovsky e Xavier Beauvois, cujo trabalho incentivou.
Presença frequente na Cinemateca Francesa e no cinema parisiense Pantheon, o crítico esteve diversas vezes no nosso país a convite da Cinemateca Portuguesa e do LEFFEST, falando – entre outros – do trabalho de Jean Renoir e Rohmer. Com problemas de saúde desde o início do ano, há meses que já não animava as discussões das sessões dos cineclubes com que colaborava. Sobre ele, recordou Beauvois em 2005 ao Libération: “Frequentava o Cineclube de Calais todas as quarta-feiras. Uma noite, Jean Douchet veio apresentar Matou [de Fritz Lang]. A maior chapada da minha vida. Douchet encarnou o crítico ideal, aquele que faz ver o cinema como a mais brilhante de todas as artes. Com o seu lenço de caxemira, parecia Fellini.“
Como realizador, assinou algumas curtas-metragens e documentários, e também pode ser visto em A Mãe e a Puta (1973), de Jean Eustache, Ela (2016), de Paul Verhoeven, e em Rainha Margot (1994), de Patrice Chéreau.

