Moebius, o novo filme de Kim Ki-duk, está a provocar forte polémica na Coreia do Sul. A obra, que já está entre os escolhidos para o próximo Festival de Veneza, foi classificado pelas autoridades sul coreanas como “nociva para a juventude (…) imoral e anti-social“, o que implicava que a fita – que contém cenas de violência e incesto entre uma mãe e um filho – só poderia ser vista em cinemas dedicados a produções “adultas“, algo que não existe na Coreia do Sul.
Assim, e na prática, esta decisão implicava que Moebius não poderia ser lançado no país asiático, algo que não só enfureceu Kim Ki-duk, que acredita que deviam ser os «adultos» a decidir se queriam ou não ver o filme, como também a associação de realizadores sul coreanos, que chegou mesmo a exigir que o governo de Seul levantasse a censura aplicada, pois na verdade o que estava em jogo era a interdição da película ser vista no território.
Já hoje, e após o governo ter-se mostrado intransigente em relação à sua classificação, o cineasta coreano – responsável por filmes como Ferro 3 e Pietà – anunciou que aceitou cortar um minuto e vinte segundos das cenas mais gráficas, procurando assim que a sua classificação seja revista e seja permitida a exibição do filme no país asiático. «Como um cineasta [cortar cenas] é uma pena, mas num mercado dominado por grandes produções, não podia desistir de ter a oportunidade de lançar o filme», afirmou o cineasta, que ainda acrescentou que «no futuro, os meus filmes que apresentem cenas ditas problemáticas terão de ser trabalhados por atores estrangeiros e produtoras internacionais», de modo a evitar a dependência da estreia no território.

