Julien Maury, Alexandre Bustillo e André Téchiné lançam campanhas de financiamento online

(Fotos: Divulgação)

O ano de 2013 parece ser mesmo o ano da massificação do recurso ao crowdfunding, em particular das chamadas produções maiores (ou de nomes mais reconhecíveis no mundo do cinema). Dos EUA temos como exemplo o sucesso de projetos como Veronica Mars [ler artigo] ou o novo filme de Zac Braff [ler artigo] – que conseguiram financiamentos superiores a 2 milhões de dólares em pouco menos de 4 dias.

Em França, e num momento em que se acumulam as criticas as novas regras do financiamento, diversos cineastas estão também a apostar neste sistema. E se o pedido [ver aqui] de Julien Maury e Alexandre Bustillo (responsáveis por À l’intérieur e Livide) para concretizarem Among the Living não é de todo surpreendente, já a entrada do veterano realizador francês André Téchiné neste sistema acaba por ser uma boa surpresa.

Techiné, responsável por filmes como Os Juncos Silvestres e Imperdoáveis, está a pedir donativos na casa dos 25 mil euros [ver aqui a campanha].

Quanto ao projeto em si, intitulado L’homme que l’on aimait trop, este vai acompanhar uma das histórias criminais mais famosas em França: o caso Agnés Le Roux, uma mulher desaparecida em circunstâncias bizarras e suspeitas há 35 anos.

O caso remonta a 1977 e envolve a família Le Roux – proprietária do casino Palais de la Mediterranée, gerido desde a morte do pai de Agnés pela mãe, Renée. Afastada da mãe por desavenças pessoais, Agnés fez então um negócio com Jean-Dominique Fratoni, também ele um empresário ligado ao mundo do jogo. Com isso, Agnés ganhou três milhões de francos franceses e é aqui que entra em jogo Jean-Maurice Agnelet, um advogado que se tornou amante da herdeira e que abriu com ela uma conta conjunta (onde foi depositado o dinheiro).

A verdade é que a certa altura, Agnés desapareceu sem deixar rasto e passados três meses, Agnelet transferiu os três milhões de francos da conta conjunta para uma conta particular. Logo depois, o advogado foi acusado do desaparecimento de Agnés, contribuindo em grande escala a denuncia executada pela sua esposa, que confessou que tinha inicialmente mentido quando lhe deu um álibi para o dia em que Agnés desapareceu.

Apesar de Agnelet estar preso desde 2007, continua a insistir na sua inocência. O facto de nunca se ter encontrado o corpo ou sequer o carro da desaparecida, sempre deram espaço à imaginação e ao clima de mistério.

Para transpor este caso para o cinema, Techiné chamou Catherine Deneuve (Potiche), que irá desempenhar o papel de Renée. A ela junta-se Guillaume Canet (A Última Noite) na pele de Agnelet, cabendo a Adèle Haenel (L’Apollonide: Memórias de um Bordel) o papel da desaparecida.

As filmagens deste projeto, dependendo do financiamento, iniciam-se ainda este ano.

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