Será «Homem de Ferro 3» adequado para o público americano no rescaldo da tragédia de Boston?

(Fotos: Divulgação)

Com a sua estreia mundial fora dos EUA esta semana, uma grande questão pode ser levantada: será «Homem de Ferro 3» adequado para o público americano no clima atual?

Esta deve ser certamente uma questão que a Disney gostará de ver respondida com esta semana de exibição fora dos EUA, antes do filme chegar a solo americano a 3 de maio (sendo claro que esta semana de diferença é mera estratégia comercial, pois já havia acontecido com «Homem de Ferro 2» e «Os Vingadores»).

O resto do artigo é puro terreno de spoilers. Quem quiser ir ver o filme e ser surpreendido deve deixar a sua leitura para depois.

O Mandarim, vilão de «Homem de Ferro 3», é apresentado como um terrorista “internacional” – sem um país, apenas um grande sentimento anti-americano. A forma como espalha o terror na primeira metade do filme é, considerando o clima atual, muito inoportuna: atentados com bombas.

O exército de super-soldados do Mandarim desloca-se a locais público, como por exemplo o icónico Chinese Mann Theater em Los Angeles, e sobreaquece ao ponto de explodir e matar dezenas de pessoas à sua volta.
Isto acontece várias vezes no filme e as ameaças televisivas do Mandarim prometem sempre explosões em locais públicos.
A certo ponto, Stark chega a visitar um local de um dos atentados nas suas investigações e encontra lá um memorial às vítimas.

Considerando os atentados de Boston e as recentes revelações sobre os seus autores, que incluíam um potencial atentado em Times Square (Nova Iorque), o timing de «Homem de Ferro 3» e dos seus vilões pode ser inoportuno.

Tendo em consideração que «Hannibal» retirou um episódio do ar por ser demasiado violento e várias séries tiverem atitudes semelhantes, a Disney certamente terá muito que pensar na próxima semana.

Para além dos homens-bomba, «Homem de Ferro 3» inclui uma revelação ainda mais constrangedora: o Mandarim é, na realidade, uma fachada mediática para um terrorista interno e bem americano.

Se por um lado isto seria um minimizador de controvérsia no rescaldo do 11 de setembro, é uma agravante na conjuntura atual se considerarmos que os atentados de Boston não vem revindicados por grupos fundamentalistas mas sim por dois jovens que residiam nos EUA.

Isto, claro está, é terreno de pura especulação. Se «Força Anti-crime» perdeu uma cena inteira e foi adiado meio ano por um massacre num cinema, e se «Hannibal» foi censurado à última da hora por um episódio envolver infanticídio – então o que fazer perante um blockbuster muito divulgado que envolve terroristas e homens bomba no rescaldo da tragédia de Boston?

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