“Les Coquillettes” estreou esta semana em França
Mensagem curiosa esta que Sophie Letourneur apresenta no seu «Les Coquillettes», uma comédia screwball que estreou este fim de semana em França e que visita o Festival de Locarno, contando mesmo com um pequeno cameo do então diretor do certame, Olivier Pere. Mas se pensam que vamos assistir a um chorrilho de cinefilia exacerbada ou aos bastidores «secretos» e sérios do festival, a boa notícia é que Les Coquillettes (que se traduz como um prato de “macarrão com queijo”) não é sobre a indústria, ou cinema de autor (apesar de haver algumas piadas em torno disso), mas sim sobre Carole, Camille e Sophie, três mulheres que partem para o festival com objetivos claros.
Sim, a realidade e a ficção fundem-se e é verdade que Sophie vai lá mesmo apresentar a sua curta-metragem «Le Marin masqué» (curta que passou pelo Curtas Vila do Conde), mas o que estas mulheres/personagens querem neste filme é encontrar o amor, o sexo, as boas vibrações e até Louis Garrel tem uma pequena aparição e importância na história. E ao macarrão e queijo do título deve-se juntar álcool, cupcakes, neuroses, traumas relacionais, sexo e até humor escatológico, tudo regado em doses generosas, que poderão ser facilmente interpretadas como presunção ou como uma espécie de «Sexo e a Cidade» encontra «A Ressaca» num baixo orçamento para festivais de cinema colocarem na sua programação.
Carole, Camille e Sophie
Carole é a loura que procura um amor marcante entre a ingenuidade, imaturidade e hormonas.
Já Camille tem uma relação com um depressivo e há 16 meses não tem sexo (coisa que não se cansa de frisar), fazendo disso o seu alvo durante o festival.
Já Sophie, a nossa realizadora, aproveita todas as ocasiões para falar daquele que acha ser o amor da sua vida: Louis Garrel. Lá diz ela que um dia o encontrou numa rua parisiense e trocaram contactos. A busca pelo ator no festival será exasperante e movida a muito álcool, onde até o facebook terá o seu papel.
A imaturidade, feminismo ou simplesmente a diversão
Como é comum, a imprensa francesa reagiu ao filme de forma antagónica. Se por um lado o tom ligeiro e despreocupado do «fun» no feminino foi elevado pelos que elogiaram a obra, o «falso feminismo», a «imaturidade», a «tolice» e até a preguiça foram marcas de jornais, revistas e sites como o Cahiers do Cinema, Positif e Le Monde.
Fora de França, há relatos curiosos de habitués do festival de Locarno, agradados em ver espaços e pessoas que conhecem. Um critico do Screen Daily foi mais longe e disse mesmo que o filme é uma «pequena jóia» que iria provocar sorrisos nervosos no público, pois tal como as nossas protagonistas, estes poderiam também ter sido mal comportados numa festa na noite anterior à exibição. «Não que eu saiba alguma coisa sobre isso [o ser mal comportado], concluiu o crítico com humor.
http://www.youtube.com/watch?v=Z04U8plzrFY

