Mais uma vez na cidade para promover “Comboio Noturno para Lisboa”, que estreia nesta quinta-feira (21/03), o ator inglês reiterou a sua paixão pela capital portuguesa numa conferência de imprensa ocorrida ontem (19/03) no Rossio e que reuniu outros membros da equipa.
Voltando a recomendar que não deixem a cidade ser destruída pela ganância económica, algo que já tinha feito alguns meses atrás, o ator arrematou observando que, se pudesse, preferia ficar a filmar em Lisboa ao invés de fazer blockbusters. Em relação a estes últimos, aliás, já no último Festival de Berlim Irons reclamava das filmagens de “Criaturas Maravilhosas”, que o obrigaram a ficar oito semanas longe de casa mesmo tendo apenas um pequeno papel.
Entre as razões para entrar no projeto, o ator ressaltou que a sua vontade de trabalhar com Bille August, com quem fez “A Casa dos Espíritos” há 20 anos, pesou muito na decisão. Não é que a ideia de adaptar a obra o agradasse desde o início – pela simples razão de que o livro homónimo de Pascal Mercier era um dos seus favoritos e muito difícil de ser transposto para o grande ecrã. “Mas se havia alguém capaz de o fazer, era o August”, disse.
Já Mercier, também presente no evento, disse ter ficado muito satisfeito com a adaptação. “Quando vi o filme a primeira vez fiquei perplexo de ver como as imagens saídas da minha cabeça vieram em minha direção a partir do ecrã. Estou muito grato ao realizador e ao elenco por terem captado a poesia do livro”. A atriz alemã Martina Gedeck, por sua vez, mais conhecida do público português por seu trabalho em “A Vida dos Outros”, disse ser sua primeira vez em Lisboa, tendo ficado impressionada pela luz e a atmosfera do lugar.
Más críticas e bom público
A partir de quinta-feira o público português vai finalmente poder dar o seu veredito sobre este trabalho que tomou cinco meses de preparação, oito semanas de filmagem na capital portuguesa e totalizou um custo de € 8 milhões. Segundo Ana Costa, co-produtora da obra, durante esse período foram gastos € 4 milhões em Lisboa e 75 técnicos portugueses trabalharam no projeto.
O filme foi mal recebido pela imprensa na última edição do Festival de Berlim, mas vêm obtendo boas receitas na Áustria, Alemanha e Suíça – estes dois últimos sede dos principais financiadores da obra.

