O cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul, conhecido por obras como «Syndromes And A Century», «Blissfully Yours», «Tropical Malady», «O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores» e «Mekong Hotel» tem um novo filme em mente. Intitulado «Cemetery of Kings», na estamos numa pequena cidade tailandesa, local onde vinte e sete soldados começam a sofrer uma estranha desordem do sono. Aí, uma escola abandonada é convertida numa enfermaria para lidar com esta estranha doença. Jenjira Widner, uma mulher de meia idade, oferece-se para cuidar destes soldados entregues ao sono, ganhando particularmente interesse num deles, Itta, um jovem que nunca tem visitas. Será numa biblioteca pública que Jenjira conhece dois fantasmas que lhe falam de um “cemitério dos reis” (daí o título), que se encontra exatamente no espaço onde está implantada a escola/hospital. Alarmada e com, cada vez mais, um maior sentimento de proteção em relação a Itta, Jenjira é fustigada por um estranho sonho – partilhado com o soldado – e que envolve uma estranha criatura do rio Mekong que a vai conduzir até Phon, a namorada imaginária de Itta. Com isto, Jenjira executa a sua fantasia de ter um jovem que anseia pelo seu amor.
Misturando o sobrenatural com a poesia e o místico, e num regresso de novo ao Mekong, Weerasethakul afirma, na sua nota de intenções, a influência da sua vivência juvenil para esta obra. «Lembro-me que quando era jovem assistir no escuro a uma personagem animada a sucumbir perante a malária. Ele foi mordido por um mosquito do tamanho da sua cabeça e tremia por baixo dos cobertores. É um mistério para mim porque os professores sempre nos mostraram filmes sobre doenças. Nós fomos expostos à devastação do Dengue, da ancilostomíase, da elefantíase e muitas mais doenças. Eu denominei a sala de visionamento (Screening Room) como a Sala da Febre (Fever Room). Os meus pais são médicos. Consequentemente, eu cresci numa casa/hospital até ser adolescente. Este hospital de uma pequena cidade foi o meu recreio. A escola e a minha casa foram assim espaços sempre repletos de doenças. Quando me tornei cineasta, decidi explorar o tema da doença e já apresentei hospitais em muitos filmes».
«Cemetery of Kings» encontra-se atualmente em busca de fundos para a sua concretização, tendo o projeto sido um dos selecionados para o fórum de financiamento de filmes asiáticos em Hong Kong. Espera-se que o projeto chegue às salas no início de 2014.

