Saeed Roustayi, realizador de “Life and a Day” e “A Lei de Teerão“, foi condenado a seis meses de prisão por exibir seu último filme, “Os Irmãos de Leila”, no Festival de Cinema de Cannes de 2022, sem a autorização necessária.
O cineasta – ao lado de seu produtor Javad Noruzbegi – foi considerado culpado esta terça-feira de “contribuir para a propaganda da oposição contra o sistema islâmico” pelo Tribunal Revolucionário Islâmico de Teerão.
O tribunal decidiu que ambos cumprirão cerca de nove dias de prisão, enquanto a restante pena será suspensa por cinco anos. Durante esse período, Roustayi está proibido de fazer filmes e deve “abster-se de atividades relacionadas ao crime cometido”, além de “evitar contato e associação com indivíduos ativos na indústria cinematográfica” e “participar num curso de cinema na Qom Sound and Vision Academy.”
Já exibido em Portugal, “Os Irmãos de Leila” acompanha uma família em plena crise e à beira de um ataque de nervos quando a figura patriarcal decide aceitar o convite de um primo e doar 40 moedas de ouro. Com capacidade monetária reduzida, mas o orgulho abalado à espera de reconhecimento alheio, pouco interessa a esse homem se a oferta coloca em risco o frágil património que detém, e ainda menos o que poderá deixar como legado aos 4 filhos e à filha, Leila, que dá título ao filme.
Podem recordar a nossa entrevista ao realizador em Cannes.

