Mia Hansen-Løve compara coordenadores de intimidade à “polícia da virtude”

(Fotos: Divulgação)

A questão dos coordenadores de intimidade, figuras que começaram a impor-se nos sets de filmagens no pós #metoo, particularmente nos países anglo-saxónicos, continua a suscitar comentários de inúmeras figuras ligadas ao cinema.

Nesse sentido, Mia Hansen-Løve foi o mais recente nome ligado à 7ª arte a criticar a presença destas figuras nas filmagens, apelidando-os de “polícia da virtude“.

Enquanto não for obrigada, não os usarei“, disse a realizadora de filmes como “Uma Bela Manhã“. “Acho que não preciso deles. Sou extremamente sensível e dou muita atenção ao respeito que os atores precisam ter uns pelos outros. Nunca tive nenhum tipo de problemas. Nunca forcei nenhum ator a fazer nada. Tudo é discutido e acontece de uma forma muito tranquila. Por isso, para mim, os coordenadores de intimidade não são necessários. Se eu fosse forçado a ter algum tipo de polícia da virtude nos sets, preferiria não filmar essas cenas. Entendo que algumas pessoas podem se sentir seguras, mas está muito longe da experiência dos meus próprios sets de filmagens“.

Estas palavas da cineasta ao The Guardian seguem o mesmo sentido das proferidas recentemente por Toni Collette e Mia Goth, que afirmaram, em entrevistas diferentes, que a presença dos coordenadores nas filmagens apenas criam “ansiedade“. “Prefiro fazer logo e despachar as coisas. Ao invés, com eles o processo é mais moroso“, disse Goth em Berlim.

Também em Berlim, a realizadora de “Silver Haze“, Sasha Polak, falou destes coordenadoresque se tornaram figuras omnipresentes nas filmagens das grandes produções, como a sua adaptação de “Hanna” para a Amazon e uma série limitada de época que também filmou recentemente para a plataforma. “É uma obrigação, eu sei, mas não quero que interfiram no processo criativo. Na verdade, odeio-os e fico muito irritada com eles“, disse Polak.

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