Presente no Festival do Cairo como ator em “L’Astronaut”, o ator e realizador Mathieu Kassovitz confessou a um grupo de jornalistas que está atualmente a desenvolver um novo projeto que vai misturar imagem real e animação: “Quero experimentar algo diferente, não quero voltar ao tipo de filmes que fiz anteriormente”, explicou Kassovitz, acrescentando que não gosta muito de como os filmes são feitos hoje em dia. “Venho dos tempos da indústria em película, não do digital. Estou a tentar abraçar esta indústria, mas preciso de um filme que me puxe para isso. Estou a desenvolver um filme de guerra. Passa-se na 2ª Guerra Mundial. Vou filmar a guerra, mas vou adicionar depois [através de animação] animais. Estou a trabalhar nele como o ‘Roger Rabbit’: faço as filmagens normalmente e mais tarde vou adicionar personagens. A história é sobre a 2ª Guerra Mundial no Reino Animal. Temos as primeiras personagens e vamos começar a filmar no final do ano e durante 2023.”
Com uma masterclass marcada no Certame, Kassovitz deu ele mesmo, aos jornalistas, alguns detalhes saborosos sobre a sua carreira, como a influência de “Un monde sans pitié” de Éric Rochan no seu “La Haine” (Ódio), na cena em que o trio de jovens que está no topo de um edifício parisiense “desliga” as luzes da Torre Eiffel. “Estava programado que a Torre Eiffel apagasse as luzes a uma determinada hora, mas os sacanas atrasaram-se 10 segundos e tive de acrescentar aquela frase, em que eles dizem que a ‘estas coisas só funcionam nos filmes’. E só depois a torre desliga as luzes“.
Na conversa, Kassovitz também falou de James Cameron, “um génio” para ele, e como “Assassinos” (1997), que é para ele um dos seus melhores filmes, surgiu como reação e espécie de manifesto contra a glorificação da violência que cineastas como Quentin Tarantino (Reservoir Dogs) e Jan Kounen (Doberman) estavam a levar aos cinemas. “Mas, como vemos hoje, Tarantino teve mais sucesso que mim, por isso ele é que estava certo”, disse Kassovitz entre risos.
Em “L’Astronaut”, Mathieu Kassovitz interpreta o papel de um antigo astronauta que vai servir de ajuda a um engenheiro aeronáutico que tem o sonho de ir ao espaço e que está, pelos seus próprios meios, a construir um foguetão.
Também numa conversa com os jornalistas, o realizador e ator Nicolas Giraud explicou as dificuldades de concretizar o projeto no meio de uma indústria francesa com uma “agenda” muito diferente da dele. Fortemente inspirado pelos filmes dos anos 80 que impuseram fantasia no seio de trabalhos onde a “família e as relações familiares” estavam em destaque, “L’Astronaut” concorre na competição internacional do festival.
O Festival do Cairo prossegue até ao próximo dia 22 de novembro.


