Jean-Louis Trintignant, um dos maiores atores de cinema de França, morreu esta sexta-feira aos 91 anos, disse a sua família à AFP, acrescentando que o ator faleceu em casa na região de Gard, no sul da França, “cercado por entes queridos” .
Nascido em 1930, em Piolenc, no sul da França, Trintignant estudou Direito em Aix-en-Provence e começou a atuar no teatro em 1950. Considerado sem talento no início, ele viria a ganhar destaque no cinema quando Roger Vadim o descobriu e ofereceu o papel em “E Deus Criou a Mulher“. Quando a imprensa perseguiu-o em 1956 por causa de rumores de um caso com Brigitte Bardot, a sua parceira de elenco, fugiu para o exército, sendo destacado para a Alemanha. Regressou à 7ª arte em 1959, em nova colaboração com Vadim: “As Ligações Perigosas”.
Posteriormente, e com uma carreira que se estendeu por seis décadas, Trintignant atuou em clássicos como “Três Cores: Vermelho” de Krzysztof Kieslowski, “O Conformista” de Bernardo Bertolucci, “Z-Orgia do Poder” de Costa-Gavras, e “A Minha Noite em Casa de Maud” de Éric Rohmer. Ettore Scola (O Terraço), François Truffaut (Finalmente, Domingo!), André Téchiné (Encontro) e Jean-Pierre Jeunet (A Cidade das Crianças Perdidas) foram outros autores com quem trabalhou.
Retirado do cinema em 2003, aceitando apenas ceder a voz a filmes, ele continuou no teatro, mas abriu uma exceção quando aceitou participar em “Amor” de Michael Haneke. Na época, afirmou que Haneke era a única pessoa para quem ele voltaria a trabalhar novamente, fosse num grande ou pequeno papel, o que aconteceria anos mais tarde em “Happy End“. Em 2019, nova exceção: comandado por Claude Lelouch, ele atua em “Os Melhores Anos da Nossa Vida“.
A vida de Trintignant ficou ainda marcada por várias tragédias, a começar pela morte da sua filha bebé, Pauline, quando ele e a família estavam em Roma em 1969. Essa morte viria a inspirar o filme “A Longa Jornada” (1971), assinado pela esposa, Nadine Trintignant.
Já em 2003, a sua filha Marie morreria após ser espancada até a morte pela estrela do rock Bertrand Cantat. Numa entrevista em 2018, onde anunciava que estava a lutar contra o cancro da próstata, o ator afirmou estar “morto há 15 anos“, em referência à morte de Marie. Na mesma conversa definiu-se como “um grande pessimista”, reconhecendo que há pessoas que nascem otimistas, mas que ele via “sempre o copo meio vazio.“

