Sergei Loznitsa expulso da Academia de Cinema da Ucrânia

(Fotos: Divulgação)

O realizador ucraniano Sergei Loznitsa, que se demitiu da Academia Europeia de Cinema pela tímida resposta à invasão da Ucrânia por parte da Rússia, foi expulso da Academia de Cinema da Ucrânia. Num comunicado divulgado este sábado, 19 de março, Loznitsa escreveu que havia sido expulso desta instituição por ser, nas palavras da academia, “um cosmopolita” insuficientemente leal ao seu país de origem.

Na base dessa “deslealdade” está a moderação das críticas do realizador de “Donbass”, que embora criticasse em toda a sua extensão a invasão russa e o governo liderado por Vladimir Putin, bem como a fraca resposta da Academia Europeia de Cinema a essa agressão, afirmava-se contra um boicote total aos filmes e aos cineastas russos, algo a que a Academia de Cinema da Ucrânia apelou. “O que está a acontecer diante dos nossos olhos é horrível, mas peço para não caírem na loucura. Não devemos julgar as pessoas com base nos seus passaportes. Podemos julgá-los pelos seus atos. Um passaporte está ligado ao lugar onde nascemos, enquanto um ato é o que um ser humano faz de boa vontade”, disse Loznitsa após a sua saída da Academia Europeia de Cinema.

Após a expulsão da Academia de Cinema da Ucrânia, o cineasta lamentou a postura nacionalista da organização: “Na tragédia da guerra, acredito firmemente que se deve manter o bom senso Sou contra o boicote dos meus colegas, cineastas russos, que estão a manifestar-se contra os crimes do regime de Putin (…) Fiquei surpreso ao ler sobre a decisão da Academia de Cinema da Ucrânia de me expulsar por ser cosmopolita. (…) Ao se manifestar contra o cosmopolitismo, os ‘membros da academia’ ucranianos empregam o mesmo discurso inventado por Estaline, baseado no ódio, na negação da liberdade de expressão, defendendo a culpa coletiva e proibindo qualquer manifestação de individualismo e escolha individual. (…)‘Hoje, quando a Ucrânia luta pela sua independência com todas as suas forças, o conceito-chave na retórica de cada ucraniano deve ser sua identidade nacional’, diz a mensagem publicada na página da Academia de Cinema Ucraniana no Facebook. Portanto, não é o ponto de vista civil e político de cada cidadão do país que importa; não é a aspiração de unir todas as pessoas que amam a liberdade e pensam livremente no mundo contra a agressão russa; não é a criação de um esforço internacional de todos os países democráticos do mundo para vencer esta guerra; é a “identidade nacional” que mais importa. Infelizmente, isso é nazismo. Um presente para os propagandistas do Kremlin dado pela Academia de Cinema Ucraniana.

Loznitsa terminou a sua declaração com um apelo: “Desejo sinceramente que todos permaneçam sãos durante este período trágico”.

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