Já premiado em Portugal no extinto Festroia, em 2009, pelo argumento de “Terrivelmente Feliz”, Henrik Ruben Genz tem construído uma carreira sólida no cinema (onde até filmou James Franco em “A Decisão Mortal), mas ganhou particular destaque pelos seus compromissos televisivos, tendo assinado episódios de “The Killing: Crónica de um Assassinato”, “Bankerot” e “DNA”, que se podem ver entre Netflix, Amazon e Arte.

É ele que pilota “Erna at War”, filme que nos leva até à 1ª Guerra Mundial e às trincheiras do exército prussiano, seguindo uma mãe (a sempre envolvente Trine Dyrholm) que parte para o conflito de maneira a tentar tirar o filho – um deficiente inteletual – da frente de combate. 

O panorama histórico-político-geográfico situa-nos no sul da Jutlândia,  península da Dinamarca ocupada pelos germânicos, sendo os seus cidadãos forçados a combater, e logo aqui é estabelecida uma distância nas ações de Erna da sinistra marca de “Traição”, mas esse eventual rótulo também não a martirizaria, já que a sua obsessão em proteger o rapaz fala mais alto que tudo. Na verdade, Erna assume aqui a identidade de um soldado desertor, conseguindo através da promessa de casamento com um oficial superior acompanhar o filho na guerra, relativamente sem problemas.

Quem conhece o trabalho da atriz dinamarquesa, que há tão pouco tempo brilhou em “Rainha de Copas“, sabe que ela é capaz de encarnar o que quer que seja, e é isso que o faz, nesta obra de cariz comercial que evidencia a perda da juventude, a ingenuidade e a inexperiência de soldados forçados a lutar uma guerra que não é sua. É também um filme sobre maternidade e o receio de deixar os descendentes darem passos por si próprios, e aí Dyrholm brilha na sua obstinação.

Henrik Ruben Genz sustenta o seu filme criando um espetáculo relativamente emocional e com momentos de tensão durante as suas quase duas horas, mas sente-se que a construção das personagens poderia ser aprimorada, e que o facto de Erna passar por um homem durante toda a guerra transmite um enorme sentimento de incredulidade. Não cai, porém, em nenhum momento, nas balelas patriotas ou sentimentos de heroísmo emancipatório – à la “Mulan”, por exemplo – mas “Erna at War” também não sai de um loop permanente de redundâncias de análise maternal à superfície, enquanto pelo caminho cria um triângulo amoroso que não tem suficiente força para catapultar o drama.

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Jorge Pereira
trine-dyrholm-nao-salva-erna-at-war“Erna at War” não sai de um loop permanente de redundâncias numa análise maternal sempre à superfície