«Era uma Vez na América»: Finalmente na versão integral, em Cannes

(Fotos: Divulgação)
Já lhe chamaram “épico”, “obra-prima”, “um dos melhores filmes de sempre”. «Era uma Vez na América» (Once Upon a Time in America), de Sergio Leone, vai ser reexibido com 40 minutos adicionais no próximo Festival de Cannes, a 18 de maio, numa gala que lhe é especialmente dedicada.  
 
 
 
O filme foi restaurado pela Bologna Cinematheque, em colaboração com a Film Foundation de Martin Scorsese e a Gucci. O clássico com Robert De Niro e James Woods foi alvo de uma reconstituição que estará o mais próximo possível das intenções de Leone. Nunca o saberemos pois o realizador faleceu em 1989. Mas a versão de 139 minutos, lançada originalmente nos EUA, era uma manta de retalhos; trocava a ordem das cenas e excluía diversas sequências importantes contendo flashbacks, pelo que a crítica e o público ficaram literalmente à deriva.
 
O projeto de restauro foi orientado e apoiado pelas filhas do realizador, Andrea e Raffaella Leone, que adquiriram os direitos italianos da obra à New Regency de Arnon Milchan. «Era uma Vez na América» foi o produto de 15 anos de investimento emocional por parte de Sergio Leone. Quase 30 anos depois, faz-se justiça.
 
Em Cannes, em 1984, «Era Uma Vez na América» foi exibido na versão aprovada por Leone, com 229 minutos, sendo aplaudido e reconhecido. Foi esta a versão lançada em VHS e que se encontra disponível em DVD. Foram agora adicionados 40 minutos de material inédito. O trabalho de restauro decorreu no laboratório italiano Bologna Cinemetheque L’Immagine Ritrovata, e foi supervisionado pelo editor de som original, Fausto Ancillai, utilizando técnicas digitais.
 
Recentemente, a Warner Brothers editou a versão conhecida em Blu-ray, remasterizada. Não sabemos o que irá fazer agora. É provável que esta versão redux origine o interesse da sua legião de fãs (e não só) e mais uma edição.   
 
Originalmente, Leone filmou 10 horas de material, cortando-o para seis, já que concebia um filme em duas partes. A produtora rejeitou, e o cineasta aprovou uma versão final, com três horas e 45 minutos. Seria o filme mais longo alguma vez produzido em Hollywood desde «Novecento» de Bertolucci.
 
Acabou por ser cortado a golpes de cutelo pela Warner, deixando os atores indignados e Leone furioso.
 
Na época, James Woods recusou-se a assistir à versão truncada e comentou: “Três semanas antes do filme estrear, foram buscar o editor do”Academia de Polícia” e esquartejaram-no. O filme foi arrasado pela crítica, tal como devia. O estúdio não fazia ideia de que ia criar um autêntico escândalo ao interferir na visão de um grande artista. Mas que manobra estúpida! Espero que queimem a merda do negativo.

 

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