Críticas do Motelx2010: ‘Amer’ (França) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
 


Ana vê-se confrontada com o Corpo e o Desejo em três momentos-chave da sua vida. A sua busca carnal oscila entre a realidade e fantasias coloridas… que se tornam cada ver mais opressivas. Uma mão coberta por uma luva negra impede-a de gritar. O vento levanta-lhe o vestido e acaricia-lhe as coxas. Uma lâmina aflora-lhe a pele: encontrará ela o prazer no final da sua viagem caótica e carnívora?

Segundo os autores Hélène Cattet e Bruno Forzani, ‘Amer’ vem inspirado pelo cinema giallo, de realizadores italianos como Mario Bava e Dario Argento. É justo dizer que a rebeldia visual e os elementos perversos são comuns entre esta obra francesa e clássicos do terror gótico como ‘Suspira’, mas ‘Amer’ faz mais frequentemente lembrar os desvarios de David Lynch em ‘Inland Empire’ do que qualquer outra coisa.

Com um primeiro acto bizarro e provocador, com claras inspirações no cinema de terror asiático (como ‘The Ring’ ou ‘A Tale of Two Sisters’), ‘Amer’ não tem uma narrativa. É uma sucessão de sequências esteticamente arrojadas e estranhas, mas que não formam uma história a não ser na mente de quem as quer unir. Há talento nesta proposta, mas a força do cinema de Dario Argento ou Lucio Fulci passava para força que uma história dava aos momentos de loucos que os filmes tinham. Mas essa loucura é a única coisa que ‘Amer’ oferece, e é por tal um exercício redundante e chato.

Uma pena, pois há aqui grandes mestria na hora de rodar e editar. Só falta a vontade de querer contar uma história.

 

O melhor: O primeiro acto deixo-nos cheios de curiosidade…

O pior: … quando percebemos que ‘Amer’ não vai a lado nenhum, o filme torna-se chato.

A base: ‘Amer’ é um exercício de estilo que oferece bons momentos mas falha como um todo. 5/10

 

José Pedro Lopes 

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