Vencedor do Prémio para Melhor Filme Britânico nos BAFTA de 2010 e Prémio do Juri no Festival de Cannes 2009
A actriz principal de “Fish Tank”, Katie Jarvis, foi descoberta pela realizadora, Andrea Arnold, numa estação de comboios enquanto discutia com o seu namorado. A sua vida mudou assim, de um momento para o outro, quase como um sonho comum de tantas jovens adolescentes.
Porém, se a actriz de ‘Fish Tank’, se pode considerar uma sortuda, o mesmo não podemos dizer da personagem que interpreta, Mia – uma adolescente que vive com a sua mãe disfuncional e uma irmã mais nova com quem sistematicamente troca insultos. Aliás, naquela casa as relações familiares são muito distantes e basicamente todas as personagens parecem se querer ver livre umas das outras, sendo uma constante as discussões e mesmo agressões.
Tudo porém muda quando a mãe de Mia arranja um namorado, o terno Connor (Michael Fassbender), que parece ser mais interessado na vida harmoniosa em família que a própria mãe de Mia.
Entre Connor e Mia nasce assim uma relação diferente, especialmente depois de este lhe emprestar uma câmara de vídeo para ela filmar-se a dançar, e enviar a gravação para uma audição de um clube nocturno.
‘Fish Tank’ circula assim muito em torno de Mia e do seu pensamento. Dos momentos solitários, aos sonhos, até à difícil relação que ela tem com tudo e todos, o que até a vai levar/obrigar a mudar de escola. E nisto Arnold é exímia, pois não tem qualquer medo em seguir uma vida claustrofóbica, assustada e nervosa, conseguindo com isso apenas que nos interessemos mais e mais por ela e por quem a circunda.
O mesmo acontece com a personagem de Connor que consegue com Mia uma química absolutamente estrondosa, mostrando que nem tudo o que parece é e obrigando-nos a olhar mais atentamente e sem julgamentos prévios. Basta lembrar a impactante respiração das duas personagens sempre que estão em contacto, para entender que a relação entre os dois é mais que a de uma adolescente é abusada por um adulto.
E nisto há que ressalvar, mais uma vez, e as vezes que forem precisas (até que os dedos me doam), a fabulosa interpretação de Katie Jarvis. Ver alguém que nunca actuou carregar um filme tão bom com esta força, intensidade e ternura, é absolutamente arrepiante para qualquer amante da 7ª arte. Estaria ela a fazer de si própria? Não sei, nem quero saber. Se sim, no futuro veremos. O certo é que todos os louvores a esta actriz parecem-me poucos neste instante.
O mesmo se pode dizer ao restante elenco, muito entrosado e com uma dinâmica fabulosa. Por trás deles está uma cineasta que a cada filme que faz ganha pontos e crédito no mundo da sétima arte, estando eu agora bem mais curioso em ver a nova versão do já tantas vezes levado ao cinema “Monte dos Vendavais”.
Por todas estas razões e mais algumas, “Fish Tank” é um filme a não perder, e nem a mudança radical de caminho que o filme leva a caminho do fim, lhe tira força. Aliás, bem pelo contrário.
O Melhor: Katie Jarvis
O Pior: Será visto por tão poucos
| Base |
| Um dos filmes britânicos mais interessantes em anos. Mike Leigh e Ken Loach têm sucessão……9/10 |
Jorge Pereira

