Críticas do Fantasporto: ‘Colin’ por Ana Almeida

(Fotos: Divulgação)

“Colin” anuncia-se como um filme de “zombies” que terá custado apenas 50€ . Mas isso não é tudo o que o filme tem para contar.

A proposta “low cost” de Marc Price traz um olhar fresco sobre o já tão explorado mito dos “zombies”. Se assumirmos que “Night of the Living Dead” de George A. Romero criou o “zombie contemporâneo”, ao que se seguiram muitas adaptações, mais ou menos originais, com mais ou menos estilo, “Colin” pode ser um bom ponto de viragem à aventura tradicional.

A estória que o estreante Marc Price criou é vista não do ponto de vista habitual dos sobreviventes, mas sim de uma das criaturas, que vive e sobrevive nos subúrbios de Londres, adaptando-se a sua nova condição: “Colin”, um jovem que se transforma num “zombie” nos dez primeiros minutos do filme.

Tem então início uma pequena odisseia pessoal onde “Colin”, o zombie, vai testemunhar a luta pela sobrevivência dos humanos que sobram, mas também as atrocidades que estes cometem sobre os mortos-vivos.

Mas mais que uma brilhante posta em cena, “Colin” tem também um interessante propósito narrativo, que o espectador só é convidado a decifrar nos últimos minutos do filme.

 Não são as limitações técnicas que impedem que “Colin” seja surpreendentemente original a nível de escrita. Nem o 4×3 que confina a imaginação nos enquadramentos. Filmado com uma câmara arcaica, de qualidade duvidosa, a realização consegue contornar dificuldades e obstáculos, habituais no cinema “low cost”, de uma forma elegante e original.

O mais importante a dizer sobre “Colin” é que este filme tem respeito por si próprio e pela estória que tem para contar. Não se torna cómico de uma forma defensiva, é feito com atenção a todos os detalhes e um admirável cuidado com o estilo.

Um futuro clássico!

O Melhor: A estória original e a realização.
O Pior: Algumas cenas são talvez demasiado longas, perdendo parte do seu impacto.

 

Base
 “Colin” é bem mais que um filme barato, é uma das propostas mais arrojadas e imaginativas do cinema fantástico inglês dos 00s, e surpreende ao trazer vida nova ao já tão explorado género Zombie….9/10

 
Ana Almeida

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