Críticas do Fantasporto: ‘Tandem’ por Gustavo Leal

(Fotos: Divulgação)
Era uma e um quarto da manhã quando, no Pequeno Auditório do Fantasporto, começa uma média metragem japonesa de 1994, inserida num ciclo denominado “Retro Pink Cinema”.

“Tandem” publicita-se como um filme softcore e um retrato da classe media japonesa dos anos 90.

Numa sala bem composta por apreciadores da 7ª arte meio ensonados, mas muito curiosos, que assistiram, com um sorriso nos lábios, aplausos e algumas gargalhadas à mistura, à história de dois homens, um de meia idade e outro jovem, que se encontram num café,  contando de uma forma oral e visual contos sexuais que ambos viveram.

As personagens passam a noite juntas a contar histórias com imagens justapostas. O mais velho demonstra um fascínio pela juventude e a vontade de ser jovem novament; o mais novo acaba por parecer o mais velho, recriminando as suas opiniões e pontos de vista e, de vez em quando, usando alguma violência física como forma de punir o mais velho pela “idiotices” do seu pensamento censurável.

Penso que este filme caracteriza, no fundo, a dicotomia entre duas gerações de japoneses, uma mais velha e mais leviana e uma nova geração aparentemente mais séria e mais hipócrita. É notório o desrespeito pelas mulheres japonesas sobre o ponto de vista do homem.

 

Melhor: As cenas sexuais em hora do ponta do metro
Pior: O péssimo trabalho de câmara e realização, embora se trate de um filme já com 16 anos

 

Base
“Tandem” é uma proposta original e bizarra, mas muito mal desenvolvida….4/10

 
Gustavo Leal

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