A noite de Jane Campion no Estoril

(Fotos: Divulgação)

Nascida a 30 de Abril de 1954 em Wellington, Nova Zelândia, Jane Campion viria a tornar-se uma das cineastas mais marcantes do final do século XX.

Filha de uma actriz e de um director de teatro e ópera, Campion parecia já predestinada a seguir um futuro no mundo das artes. No entanto, viria a graduar-se primeiro em Antropologia em 1975, e só depois num curso de pintura, em 1979, na Sydney College of the Arts.

Em 1982 (com apenas 28 anos) chama logo a atenção no Festival de Cannes, ao ganhar a Palma de Ouro para Curta-Metragem pela sua primeira curta: “Peel”. Outras curtas premiadas se seguiram, nomeadamente em 1983 com “Passionless Moments” e em 1984 com “Girls Own Story”.

É apenas em 1989 que realiza “Sweetie”, a sua primeira longa-metragem, que foi logo seleccionada para competir pela Palma de Ouro nesse ano com filmes como “Nuovo cinema Paradiso” ou “Sex, Lies and Videotape” (o eventual vencedor do galardão).

Apenas um ano mais tarde, decide subverter as regras do “biopic” com “An Angel of My Table”, um retrato psicológico e autobiográfico da poeta Janet Frame. O filme viria não só a catapultar a actriz Kerry Fox, como, mais uma vez, chamar a atenção para uma nova força feminina a ter em conta atrás da câmara.

Mas é em 1993 que Jane Campion faz realmente história, ao ser a primeira (e única até ao momento) realizadora feminina a conquistar uma Palma de Ouro e apenas a segunda mulher a ser nomeada para o Oscar de Melhor Realizadora, abrindo um novo caminho para o cinema feito por mulheres, e para elas. O filme responsável por tanto recorde é o multigalardoado “The Piano”, a história de uma pianista muda, da sua filha e dos seus desejos secretos na Nova Zelândia do século XIX.

Desde então, o seu trabalho tem vindo a ser mais polarizante e menos aceite pelo público. Mas se há uma coisa que se pode dizer sobre a cineasta, é que nunca se rendeu ao “mainstream”. Em 1996 dirige “Portrait of a Lady”, adaptação do romance de Henry James encabeçado por Nicole Kidman. Três anos mais tarde, segue-se “Holy Smoke!”, com Kate Winslet e Harvey Keitel.

Em 2003, chega a vez de Meg Ryan entrar em cena e despir-se pela primeira vez no grande ecrã, fugindo de vez do estatuto de namoradinha da América que já estava a perder de qualquer das maneiras, no mal-interpretado thriller erótico “In the Cut”.

Seis anos depois, eis que surge finalmente este “Bright Star”, logo pela porta grande que tanto reconhecimento lhe trouxe no passado – o Festival de Cannes. Campion e o filme saem de mãos a abanar perante um júri liderado por Isabelle Huppert, interessado em obras mais polémicas, mas a obra acaba por ser a mais elogiada desde “The Piano”. Retratando o romance de três anos do poeta John Keats com Fanny Brawne, interrompido pela própria vida, Campion consegue emocionar as poucas plateias que tiveram já o privilégio de ver o filme. Por cá, a ante-estreia nacional dá-se com esta edição do Estoril Film Festival (com cerca de dois meses de antecedência em relação à sua estreia nacional), quarta-feira, dia 11, às 22:15h no Centro de Congressos do Estoril.


André Gonçalves

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