c7nema em Berlim: ‘Howl’, de Rob Epstein e Jeffrey Friedman

(Fotos: Divulgação)

A grande curiosidade deste filme reside mais na curiosidade de narrar o processo movido contra uma obra literária, neste caso concreto, o poema maldito de Allan Ginsberg, ‘Howl’. Um filme de tribunal? Talvez, mas não só. O melhor são mesmo são as narrações inflamadas do “angry man” Ginsberg, com James Franco a revelar-se como um dos actores que mais leva a sério o trabalho do “método”.

Tivemos, aliás, oportunidade de conversar com ele e perceber a seriedade que dedica ao estudo de literartura e poesia, para além de não descartar a realização – Franco mostrou, aliás, duas curtas da sua autoria.

‘Howl’ é então um ‘one man show’ de Franco, nas declamações em ‘happenings’ literários, em excertos em que encena trechos da sua vida boémia, fortemente marcada com encontros homossexuais. Em tribunal, temos de um lado David Strathairn a invocar a decência ou a acusar a indecência do verbo, enquanto que do outro está um Jon Hamm impecável, na defesa, mas a fazer de Don Draper na série ‘Mad Men’.

Complexo na composição, variando entre declamações, ‘flash backs’, tribunal e animações psicadélicas, ‘Howl’ aponta claramente para um nicho ‘art house’, mas com pouco retorno comercial.

Classificação: **

Paulo Portugal em Berlim

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