A decorrer de 19 a 29 de outubro, a 23ª edição do Doclisboa anunciou hoje os seus primeiros títulos, com o falecido cineasta colombiano Luis Ospina em grande destaque. É que além de ser exibido o seu último projeto, “Mudos Testigos”, em colaboração com Jerónimo Atehortúa Arteaga, um outro documentário – em torno do próprio Ospina (”Ospina Cali Colombia”) – vai estar em foco na programação.
Foram dez os filmes anunciados hoje: cinco integrados na secção Heart Beat, onde se “exploram todas as formas de arte e expressão, numa celebração da criação” , e cinco na Da Terra À Lua, onde se integram obras de “documentaristas fundamentais fora de competição”.
“Mudos Testigos” utiliza fragmentos de doze filmes pertencentes ao período mudo do cinema colombiano, além de citações extraídas de fontes literárias, para criar uma nova narrativa para um filme imaginário, um melodrama romântico que se desenvolve durante a primeira metade do século XX e conta a história de amor impossível entre Efraín e Alicia.
Já “Ospina Cali Colombia”, uma produção da Terratreme com a assinatura de Jorge de Carvalho, faz um retrato do cineasta – com recurso a imagens dos seus filmes e às palavras do próprio. Nascido em Cali, Ospina estudou cinema nos EUA e regressou ao seu país após um primeiro filme, “Acto de Fe”, uma adaptação livre do conto de Jean-Paul Sartre, “Erostrate“. Cinéfilo ferrenho – fundou um cineclube e a revista de cinema Ojos al Cine. Ospina sempre mostrou uma forte corrente política no seu cinema, pronto sempre a experiências, a quebrar as regras e explorar as fronteiras entre o documentário e a ficção.
Noutros destaques da programação da secção Heart Beat, muitas vezes descrita como “o coração do festival“, encontramos ainda “Nam June Paik: Moon is the Oldest TV “, filme de Amanda Kim que, através da montagem de entrevistas e imagens de arquivo, faz um retrato do “pai da videoarte”, tanto no seu tempo (1932-2006) como através do legado que deixou; “Creature”, de Asif Kapadia, que acompanha uma performance de dança em tempo real no palco do English National Ballet; “Nôs Dança”, de Rui Lopes da Silva, uma viagem com o bailarino e coreógrafo António Tavares às várias ilhas de Cabo Verde, em busca das danças espalhadas pelo arquipélago, dos ritmos tradicionais aos estilos contemporâneos; e “Joan Baez I Am A Noise”, de Karen O’Connor, Miri Navasky, Maeve O’Boyle, que segue a vida da compositora, música e ativista americana, mas entra igualmente na sua complicada história familiar.

Já na secção Da Terra À Lua, nota para “A Câmara” de Tiago de Aragão e Cristina Brum Bernardes, que acompanha as movimentações políticas – sobre os mais diversos temas – nos bastidores da Câmara de Deputados do Brasil, com um olhar acentuado no feminino, da esquerda à direita. Outros filmes apresentados foram: “L’amitié”, onde o veterano Alain Cavalier estuda os elos que nos unem a partir da filmagem de três velhos amigos, em trechos de seu quotidiano; “Menus Plaisirs – Les Troigros”, onde Frederick Wiseman nos leva aos bastidores do mundo do restaurante francês La Maison Troisgros, que detém três estrelas Michelin há mais de cinco décadas; e “An Owl, A garden & The Writer”, produção onde Sara Dolotadabi leva-nos ao universo do pai, Mahmoud Dowlatabadi, um dos mais prolíficos romancistas iranianos.


