“The Hole in The Fence” vence Festival do Cairo

(Fotos: Divulgação)

O filme El hoyo en la cerca” (The Hole in The Fence) de Joaquin del Paso foi o grande vencedor da competição internacional no Festival do Cairo, certame que encerra hoje após ter iniciado a sua 43ª edição no passado dia 26 de novembro.

No filme estamos num acampamento católico para jovens destinado a formar as elites do futuro. Construído num terreno conquistado no passado aos indígenas, este espaço meticulosamente protegido do mundo exterior será abalado quando um buraco numa vedação é descoberto. Estará este espaço destinado ao 1% da população, os extremamente ricos, em perigo? E qual será a resposta destes privilegiados?

A disparidade social no México segue a crescer e, este ano, no pós pandemia, as coisas ainda estão piores. Não sei os números exatos, mas a pobreza extrema cresceu muito e isso é algo que não vais recuperar rapidamente. O México continua a ter alguns dos homens mais ricos do mundo, mas também dos mais pobres.”, explicou del Paso ao C7nema sobre as motivações para o seu filme no último Festival de Antália, onde “The Hole in The Fence ” também concorria ao principal prémio.

Piccolo Corpo

O júri liderado por Emir Kusturica atribuiu ainda a Pirâmide de Prata de Melhor Realização a Laura Samani pelo seu “Piccolo Corpo“, um filme passado no início de 1900 que observa a fé e a magia a partir da história de Ágata, uma mulher cujo filho nasceu morto. Na tradição católica, uma criança que não respirou uma vez não pode ser batizada e a sua alma será condenada ao Limbo, sem nome e sem paz. É então que Ágata ouve falar de um lugar nas montanhas, onde as crianças podem ser trazidas de volta à vida. Ela inicia aí um trajeto tortuoso que a vai transformar para sempre. A história particular que inspirou Lara Samani foi a de um homem que fez esse caminho, mas ela decidiu mudar o género da protagonista desse calvário, além de centrar a ação no início do século XX: “Normalmente eram os homens que faziam esta jornada, pelos perigos que existiam no caminho, mas também porque as mulheres estavam normalmente fisicamente incapazes de fazer o trajeto depois dos partos dramáticos que tiveram. Pensei então: e se fosse a mãe a fazer esta jornada? A partir do momento que decidi que era a Agata que fazia essa jornada, a teia do enredo montou-se”, disse a cineasta em Cannes ao C7nema. 

Mohamed Mamdouh

Ainda competição internacional, Hong Seong-eun e o seu “Aloners” conquistou a Pirâmide de Bronze de Melhor Primeira ou Segunda Obra. Nas interpretações, Swami Rotolo por “A Chiara” foi a Melhor Atriz, enquanto Mohamed Mamdouh foi o Melhor Ator pela sua prestação em “Abu Saddam“. O júri atribuiu ainda um prémio de Melhor Contribuição Artística a José Ángel Alayón pela Direção de Fotografia de “They Carry Death“; e a distinção de Melhor Argumento para o filme “107 Mothers“.

Passando para os Horizontes do Cinema Árabe a vitória coube a “Memory Box”, filme de Joana Hadjithomas e Khalil Joreige. “Fiasco” de Nicolas Khoury ganhou o Prémio Especial do Júri, enquanto “A Second Life” de Anis Lassoued recebeu uma menção honrosa. “From Cairo“, de Hala Galal, foi o Melhor Filme Não-Ficção. Afef Ben Mahmoud foi laureada nesta secção pela sua interpretação em “Streams“.

Já na secção Semana da Crítica Internacional a vitória coube a “The Stranger” de Ameer Fakher Eldin, que acumulou ainda o Prémio de Melhor Filme Árabe das três secções competitivas do festival. O júri da Semana da Crítica distinguiu ainda com um Prémio Especial “Wild Roots” de Hajni Kis, e guardou uma Menção Especial para a interpretação da atriz Arcelia Ramírez em “La Civil“.

Na Competição Internacional de Curtas-Metragens, o júri presidido por Cíntia Gil atribuiu o Prémio Youssef Chahine a Lotfi Achour e o seu “Blind Spot“. “Then Came Dark” da libanesa Marie – Rose Osta e “It’s Nothing Nagy, Just hang up!” do egípcio Youhanna Nagy receberam ainda prémios especiais do júri das curtas.

Finalmente, o júri FIPRESCi premiou Dhafer L’Abidine e o seu “Tomorrow“, enquanto no que toca ao público a escolha recaiu – sem grande surpresa – em “Daughters Of Abdel Rahman“, um filme jordano assinado por Zaid Abu Hamdan.

Últimas