O ritmo extremamente vagaroso de “The Stranger” é um trâmite difícil de ultrapassar para o espectador, mesmo que este saia satisfeito com a parábola de ocupação dos Montes Golan que o cineasta estreante Ameer Fakher Eldin coloca em cena.
Com claras referências (ou inspirações) no cinema turco mais recente, de Nuri Bilge Ceylan a Semih Kaplanoglu, mas também de outras paragens (“Tangerines” de Zaza Urushadze), “The Stranger” acompanha Adnan (Ashraf Barhom), um homem marcado pela vida e pelo desprezo paterno, preso a um aparente fracasso de se tornar médico, e agarrado à adição do álcool.
Distanciado da sua esposa, Leyla (Amal Kais), e filha (Amer Hlehel), o homem vagueia por entre encontros e desencontros, discussões e frustrações, numa área dividida entre Israel, Síria e Líbano, ganhando a sua vida novo alento quando, juntamente com outros conhecidos, descobre um homem ferido e moribundo proveniente do teatro de guerra sírio, optando por dar-lhe abrigo.
Verdadeiro purgatório territorial, os Golan servem de espelho à própria vida emocional destroçada de Adnan, sem que exista propriamente uma resolução em vista para os dois. Na verdade, quer a fotografia, quer o texto, quer as personagens e o próprio ritmo, carregam em si uma forma plúmbea, como se fossem apenas meras sombras de pedaços e territórios com vida. E se Adnan permanecerá à sombra da rejeição do pai, igualmente os Montes Golan permancerão uma terra de ninguém (e de todos), incapaz de sair da neblina geográfica e política em que se encontram.



















