Marc Munden leva o terror da pandemia nos lares ao TVCine FEST

(Fotos: Divulgação)

Ainda antes de estrear nos canais TVCine em novembro, o filme “Help”, que acompanha o drama da chegada do Covid-19 a uma casa de repouso e o impacto que isso tem na vida de quem lá trabalha e reside, vai ser exibido este domingo, pelas 13h00, no TVCine FEST, evento que celebra as estreias da televisão em algumas salas NOS de Lisboa, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra, Vila Real, Almada, Loulé e Funchal, no fim de semana de 24 e 25 de setembro.

Marc Munden

Assinado pelo vencedor de três BAFTA e um Emmy Internacional (pela série “Utopia”), Marc Munden, o filme é protagonizado com requintes de excelência por Jodie Comer (Killing Eve; O Último Duelo) e Stephen Graham (This Is England; Salvação), respectivamente nos papéis de Sarah, uma cuidadora, e Tony, um homem de de 47 anos diagnosticado com Alzheimer.

O meu maior desafio era fazer um filme que se sentisse verdadeiro”, explicou-nos Marc Munden em entrevista. “Tínhamos um guião para o qual fizemos muita investigação. Falámos com muitos cuidadores e residentes desses lares, para que nos contassem sobre as suas experiências. Tudo se passava durante o primeiro confinamento, em março de 2020,  e filmámos em março de 2021, ou seja, ainda estávamos frescos sobre os eventos.” 

O guião de “Help” foi escrito por Jack Thorne, com quem o realizador já tinha colaborado no passado. “Aquilo que ele escreve vem do coração”, diz-nos Munden, acrescentando que muitas vezes a profundidade das personagens não está explícita nas palavras do guião, e só se descobre durante os ensaios: “O Stephen Graham esteve junto de grupos de pessoas com Alzheimer precoce, a Jodie Corner esteve junto de cuidadores, descobrindo o que eles passaram nesse confinamento. Juntamos essas experiências dos dois nos ensaios e começámos a desfiar as camadas do guião, mudando algumas coisas. Mas essencialmente o que filmamos estava no guião”.

E esse guião entrelaça géneros de forma orgânica, com drama, romance e até thriller, na forma quase de filme de cerco (onde o Covid-19 é o vilão), a unirem-se numa história eminentemente política, até porque 40% de todos os mortos pela pandemia no Reino Unido ocorreram nos lares e casas de repouso. “Sim, sem dúvida, é um filme político. Tivemos a perfeita noção que no primeiro confinamento o sector das casas de repouso e lares foi completamente esquecido e negligenciado pelo governo. A questão que temos de fazer é por que razão isso aconteceu? Houve muita atenção ao sector da saúde, felizmente, mas isso não foi acompanhado com a mesma atenção a estes lares e casas. Muitos destes cuidadores sentiram-se esquecidos. Todos batiam palmas aos enfermeiros e médicos, enquanto estes cuidadores nem podiam ir aos supermercados como esses profissionais de saúde. Muitas destas pessoas sentiram-se traídas e isso foi totalmente responsabilidade do governo”

Jodie Comer e Stephen Graham

Munden, que no passado trabalhou como assistente de realização de Mike Leigh, que ensinou-lhe tudo o que sabe sobre atuação (“cria os seus filmes através da improvisação”), Derek Jarman (“uma pessoa completamente diferente, alguém extremamente colaborativo”) e Terence Davies (“tem uma gramática cinematográfica muito própria, que o torna único”),  tem trabalhado principalmente para a televisão, mas avisa: “Tento sempre fazer as coisas para o grande ecrã. Se se pensares muito nos formatos em que hoje em dia se assistem aos filmes, dás por ti muito irritado, especialmente quando vês as pessoas, como eu vejo no metro londrino, a assistirem a filmes nos smartphones.

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