Asia Argento: “O medo é um sentimento matemático”

"Óculos Escuros" estreia nos cinemas a 15 de setembro

(Fotos: Divulgação)

Filha do lendário Dario Argento, atriz e realizadora já com um longo percurso no cinema, Asia Argento visitou a Berlinale para apresentar “Dark Glasses” (Óculos Escurospt), o mais recente filme do autor italiano, no qual ela desempenha o papel de uma especialista no apoio aos cegos que terá de lidar e ajudar uma prostituta a escapar de um assassino.

O projeto estava escrito desde os tempos do ‘Stendhal Syndrome’ (1996) e era realmente um bom filme. Não me lembrava bem dele, além do título e do papel da mulher cega com a criança, mas recentemente ele chegou a mim novamente como uma visão”, explicou Argento ao C7nema numa conversa em Berlim. “Sabia que se avançássemos teríamos uma produtora francesa que ia gostar dele, pois o guião era poderoso. Traduzimos o guião para eles, o meu pai reescreveu-o, e gostaram. A fita não foi feita antes porque o produtor dessa época (anos 90) entrou em bancarrota e detinha os direitos sobre o guião. Isso também já me aconteceu com um projeto. Escrevi um filme, vendi os direitos e as coisas seguiram o mesmo caminho. Foi como perder um filho e entrar em luto. Não paramos de pensar no assunto, mesmo que queiramos esquecer tudo. Quando escreves algo, fazes investigação e pões tudo nele. Não o fazer traz-me sempre recordações muito dolorosas.

A verdade é que “Dark Glasses” chegou às salas este ano, depois de um longo hiato do mestre italiano, que desde 2012, quando lançou o seu “Drácula”, não realizava. “O meu pai é um autor, os seus filmes não são de género”, explica Asia, especificando que o que lhe interessa são bons projetos, não interessa o género: “Sou uma fã de grandes filmes, não de filmes de género. Podem ser bons ou maus, não estou obcecada com eles. Na arte, nos livros, na música é igual. Sou um pouco vintage. Só quando vemos os filmes, livros do passado estamos preparados para o presente.

A atriz, que também atua como produtora executiva neste novo trabalho do seu pai, acredita ainda que “Dark Glasses” vai chegar a novas gerações e não apenas atrair os velhos fãs do cineasta. “Tenho uma filha de 20 anos e um rapaz de 13, a forma como eles encaram estes filmes mostra que nunca verdadeiramente serão datados. Não é como um filme dos anos 60. Existe um mecanismo psicológico tão preciso que atravessam gerações e décadas. Não é um filme que usa truques. O medo é um sentimento matemático. Se moves a câmara neste sentido, a personagem tem de o fazer milimetricamente. Um segundo antes ou depois e a cena não é assustadora. Tens de conhecer este mecanismo e a matemática do medo. Por isso alguns filmes tornam-se eternos, obras-primas que não acreditas que foram feitas na década de 1970. Já na época eram intemporais, não representavam um país ou uma realidade. (…) como o ‘Suspiria’, que teve um remake, mas não tive interesse em ver.

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