No périplo pelo hemisfério sul do grande Charles Darwin também calhou ao naturalista conhecer os pampas gaúchos onde, como sempre, uma perfeita observação dos mais insignificantes pormenores o levaram a elaborar mais uma de suas teorias. O local, localizado no que é hoje o noroeste do Uruguai, ficou assinalado como Rincón de Darwin. Algumas das suas conclusões emprestam um sabor especial a este road movie que une três homens a atravessar o país para chegar até o lá, onde um deles herdou um imóvel.
Este é Gaston (Jorge Temponi), recentemente solteiro devido ao rompimento abrupto com a sua ex-noiva, seguindo em viagem com o escriturário já de idade avançada e melancólico Américo (Carlos Frasca) e com o extrovertido motorista Beto (Jorge Esmoris).
A primeira obra de Diego Fernández sobressai-se pela maturidade com que gere os destinos subitamente entrelaçados dos três protagonistas. Tudo se joga no ritmo com que ele constrói e entrelaça os pequenos dramas que vão acarretando grandes mudanças, ora acertando ao nunca perder a regularidade, ora sendo pouco imaginativo na manutenção do seu andamento cadenciado. De qualquer forma, vai evitando as armadilhas dos esquematismos e das evoluções das personagens vai extraindo os seus achados.
O tema da evolução, para além de presente nos relatos de Darwin, perpassa a atitude dos personagens – desde o entusiasta da tecnologia Gastón até o alegre e ignorante Beto, passando pelo cético Américo. Esta trajetória confunde-se com os destinos do próprio país, onde as leituras de textos de mais de 150 anos dialogam com o Uruguai contemporâneo.
O Melhor: um interessante diálogo entre os escritos de Darwin, o destino dos protagonistas e o Uruguai contemporâneo
O Pior: alguns momentos mais mornos

Roni Nunes
(crítica originalmente publicada durante a Mostra de Cinema da América Latina)

