O realizador Joseph Ruben teve o seu grande momento de apelo popular com Dormindo com o Inimigo, de 1991, onde Julia Roberts era uma vítima (quase) indefesa a ser caçada pelo próprio ex-marido. Sem lançar um filme desde “Misteriosa Obsessão”, de 2004, onde Julianne Moore procurava pelo filho desaparecido, ele aqui regressa com o tema de uma mulher fragilizada e a lutar com pouquíssimas armas contra uma situação extremamente desfavorável. Trata-se de Sara (Michelle Monaghan), uma ex-fotógrafa cega que subitamente tem o seu apartamento (a “penthouse” do título) invadido por dois maníacos atrás de diamantes supostamente presentes na casa.
Thriller sem maiores voos que cumpre plenamente o seu objetivo de entretenimento. Ruben joga bem com os espaços e os enquadramentos, ao mesmo tempo que desenvolve o seu enredo num cenário minimalista sem recorrer, durante longo tempo, à sua única cartada para puxar a ação para fora do apartamento – a irmã de Sara e seu cunhado polícia. E quando o usa, diga-se, obtém a melhor sequência do filme.
Um tanto fora de contexto, vale a pena lembrar que o exercício proposto por Michael Haneke em Brincadeiras Perigosas (qualquer uma das versões) sobre o desejo de violência inerente ao espectador partia do mesmo pressuposto: dois sujeitos invadem uma casa e submetem uma pacífica família de classe média a uma incrível cadeia de tormentos psicológicos. Diante do que se segue nas obras do austríaco, as pretensões de “sadismo” e “violência” deste Penthouse North parecem verdadeiramente um “funny game” – sem qualquer ironia.
Enquanto Ruben e Monaghan viram o filme não ser lançado nas salas norte-americanas, apesar de comprado pela Dimension dos irmãos Weinstein, Michael Keaton teve aqui um treino bastante satisfatório para o papel de vilão no aguardado remake de “Robocop“.
O Melhor: thriller eficaz
O Pior: sem maiores ambições

Roni Nunes

