Marianne Fredriksson é uma escritora conhecida dos suecos e vem de um dos seus trabalhos mais famosos, esta adaptação que concorreu a vários prémios no seu país de origem. O filme foi realizado por Lisa Ohlin, na sua quarta-longa metragem.
A história acompanha 13 anos da vida de Simon Larsson (Bill Skarsgård). A sua infância, marcada pela solidão, o gosto pelos livros, pelas “conversas” com três carvalhos no quintal da sua casa, é determinada pelo apego incondicional da mãe e a incompreensão do pai – um carpinteiro rude que não entende o “estilo de vida” do menino. Pelo caminho da família cruza-se o de outra, dois judeus (pai e filho) aterrorizados pelo avanço implacável das tropas de Hitler (estamos em 1939) pela Escandinávia. Na fase adulta de Simon, acumulam-se conflitos e descobertas.
Apesar de visualmente bonito, o alcance do filme em termos globais é bastante modesto. Em primeiro lugar, pouca relevância tem o filme ser passado na 2ª Guerra Mundial. A história dá um salto de 1939 para 1945 e parece que nada aconteceu na Suécia: Simon continua a sua vidinha pacata e nada de mau aconteceu aos seus amigos judeus – cujo drama aparece como um pálido pano de fundo. A julgar pelo filme, o resto da Europa era passado a ferro e fogo enquanto no país nórdico nada se passava.
Se o contexto histórico é desperdiçado, restam os conflitos dos personagens – e o filme vai empilhando os seus pequenos dramas numa lógica de telefilme que nunca se junta para criar algo de maior dimensão. O resultado é uma produção grandiosa, com fotografia e banda sonora de grande qualidade, mas em geral sem grande substância – ainda que se salvem alguns trechos e interpretações.
O Melhor: a música e a fotografia
O Pior: espécie de telefilme grandioso sem maiores voos

Roni Nunes

