Bob McNeive (Robin Williams) e a sua disfuncional família alugam uma caravana para uma viagem até às Montanhas Rochosas no Colorado, onde terão de confrontar uma bizarra comunidade de campistas.
Elenco
Robin Williams, Kristin Chenoweth, Jeff Daniels, Tony Hale, Cheryl Hines, Josh Hutcherson, Jojo Levesque
Realizado por Barry Sonnenfeld
Crítica
Barry Sonnenfeld foi responsável por duas das comédias mais aclamadas da década de 90 – “Get Shorty” e “Men in Black”. Robin Williams é um actor que dispensa apresentações e já provou que sabe fazer qualquer coisa, se bem que o público reconhece-o melhor dos papéis mais cómicos. Mas nem estes dois talentos – e nem sequer Jeff Daniels, que por aqui também circula – conseguem evitar que “RV” se encontre isento de piadas inteligentes e criativas (o melhor que aqui se arranja é um ou outro sorriso mal disfarçado) e se contente pela mediocridade de uma sub-comédia familiar de fim-de-semana à tarde.
Numa tentativa desesperada de “mimicar” o sucesso de “National Lampoon’s Vacation” (onde pára o Chevy Chase?), “RV” conta-nos a história de Bob Munro (Robin Williams), um empresário que terá que cancelar a sua viagem ao Hawai com a sua família para poder fechar um negócio importante, correndo o risco de perder o seu emprego caso não o consiga. A solução? Alugar uma auto-caravana e fazer uma viagem familiar até Colorado a substituir as férias anteriores, pondo-o a uns meros quilómetros do local onde o seu patrão o espera para fazer a apresentação da sua proposta de negócio. Isto tudo sem que a sua família suspeite das verdadeiras intenções por detrás, pois claro.
A família de Bob é a típica família norte-americana, com pais e filhos com problemas de comunicação, mas que lá se vão entendendo aos poucos. Não há uma personagem realmente viva por aqui. E não falta aqui sequer o discurso sacarino final sobre a importância da família contra a malevolência das grandes empresas, e que fica sempre bem num filme como este.
Tudo isto poderia ser bem mais fácil de aguentar, não fosse o argumento de Geoff Rodkey (argumentista também de “The Shaggy Dog”) recheado de humor que nunca teve realmente piada – pelo menos da maneira como é aqui apresentado. Afinal, não é qualquer argumento que despediça completamente o talento cómico de dois bons actores e de um realizador com provas dadas. Numa das sequências supostamente mais “divertidas”, o nosso protagonista tenta tirar os dejectos da sanita da auto-caravana por um tubo e acaba por não sair ileso da situação, como seria de esperar à partida. Quando não está preocupado com humor de casa-de-banho para menores de 6 anos (e não para maiores), o filme vai deambulando por piadas recicladas envolvendo a viatura e o respectivo condutor, ou a família esquisita que se encontra pelo caminho e não os cansa de perseguir. Hilariante.
Logo no início, a auto-caravana é descrita como sendo “uma grande bosta rolante” (“a big rolling turd”). Impossível não pensar nesta frase quando se tenta descrever o próprio filme. Não será uma viagem traumatizante, mas não deixa de ser um desperdício de talento e tempo de todos os envolvidos, incluindo o espectador… 3/10… André Gonçalves

