Sinopse
Uma jovem estudante, que está a tomar conta dos filhos de um casal muito rico, começa a receber chamadas estranhas a ameaçar as crianças. Quando se dá conta que as chamadas não são apenas uma brincadeira de mau gosto, resolve chamar a polícia. É aí que se apercebe que as chamadas têm origem no interior da própria casa …
Elenco
Camilla Belle, Tommy Flanagan, Tessa Thompson, Brian Geraghty
Realizado por Simon West
Crítica
Um som agudo rasga o silêncio da sala. É o telefone, que toca pela terceira vez. A jovem babysitter fita o aparelho com apreensão. Decide atender…
A mesma voz masculina ecoa pelo auscultador. “Já foste verificar as crianças ao segundo andar?” – é a pergunta repetida que lhe enregela os ossos.
Enquanto decide se sobe ou permanece na sala, recebe um telefonema da polícia. A chamada foi localizada. Está a ser feita da casa.
Trata-se de um mito urbano, que teve origem nos anos 60 e rapidamente proliferou pelos subúrbios da América do Norte.
Surge como uma advertência social. O incutir da responsabilidade nas adolescentes, na transição para a idade adulta, em consonância com uma espécie de preparação das jovens para a maternidade.
O potencial cinematográfico para esta premissa era enorme. Não é de estranhar que, em 1979, tenha surgido o filme “When a Stranger Calls”, realizado por Fred Walton e reproduzindo na integra o mito.
A fita foi bem aceite pelo público. O seu desígnio foi cumprido, ou não tivesse alcançado o vigésimo oitavo lugar na lista dos 100 filmes mais assustadores da história do cinema, numa compilação efectuada pelo Canal Bravo, canal de televisão americano, subscrito por cabo.
Quase três décadas mais tarde, alguém (neste caso um senhor chamado Paddy Cullen, produtor executivo) achou que o filme tinha envelhecido o suficiente e estava na hora de aproveitar para criar uma nova versão. E assim se fez…
“When a Stranger Calls” é mais um remake de um thriller a juntar às dezenas que têm aparecido num passado recente.
Alguns assumem-se como boas revitalizações (“Dawn of the Dead”, “The Hills Have Eyes”), outros nem por isso (“Assault on Precinct 13”, “The Fog”). Neste caso a renovação surge como um benefício ou um prejuízo? Prejuízo.
Os motivos são variados, mas o que se destaca é sem duvida o extremo amadorismo na actuação. Carga dramática nula, densidade emocional com a espessura de uma linha telefónica, enfim, um naipe de actores cujas prestações deixam muito a desejar. E quando um filme quer criar tensão e os actores falham no fio dramático da película, o preço a pagar é caro.
A realização é um dos pontos mais consistentes do filme. Há óptimos pormenores na forma como somos colocados na acção. Por diversas vezes dá gosto acompanhar a câmara enquanto esta deambula por aquela sumptuosa mansão contemporânea, vislumbrar cada detalhe daquela pequena jóia arquitectónica.
Mas o trabalho do realizador inglês Simon West (que esteve por trás de filmes como “Com Air”, “General’s Daughter”, “Tombraider”) não é imaculado e também perde consistência. Por vezes a câmara torna-se demasiado frenética, num tipo de filme que, a meu ver, funciona melhor com uma cadência lenta, demorada, a prolongar o suspense e a angustiar o espectador. A formula Hitchcockiana, basicamente.
Pelo preço corrente dos bilhetes de cinema, talvez seja preferível encomendar na Internet o DVD da versão velhinha de 1979 e deliciarmo-nos no conforto das nossas próprias casas. Com o telefone desligado…4/10…Victor Melo
Crítica
Desde cedo que um dos primeiros mandamentos do ensino dos filhos é nunca falar, nem aceitar nada de estranhos. Ao longo dos últimos cinquenta anos essa tem sido uma directriz de tal forma inculcada na mente dos jovens que actualmente é quase um automatismo muitas vezes levado ao exagero. Talvez por essa clareza na mente dos jovens se explique que “When a Stranger Calls” um pequeno filme de suspense de 1979, tenha envelhecido tão rapidamente. Se a estratégia deste remake, em pleno 2006, era fazer rejuvenescer o tecido dramático da obra original, foi como dar um tiro no pé. Hoje, ainda mais do que em 79, todos sabem, incluindo crianças, adolescentes, idosos, (bem… talvez não tanto o saibam, por definição, as adolescentes norte-americanas em teen horror movies) muito bem como reagir quando alguém nos telefona a ameaçar-nos. Talvez por isso, toda a graduação em que assenta “When a Stranger Calls”, seja um mau começo, bem fora da realidade de hoje.
Mas recuperemos a história. Jill é uma adolescente que está prestes a acabar a relação com o namorado. Nos últimos tempos tem gasto imenso dinheiro em telefones, pelo que os pais a castigam: um mês sem telemóvel, nem carro. Para tentar recuperar algum dinheiro vai fazer de babysitter a casa de um casal amigo dos pais, os Mandrakis. Estes têm uma mansão luxuosa num local isolado, sendo que Jill terá de passar umas boas horas a olhar pelas crianças que, bendito seja o senhor, até já estão deitadinhas.
Mas que ninguém se iluda, porque, namorado, melhores amigas, castigos, não interessam absolutamente nada. “When a Stranger Calls” é um pobre filme de suspense onde há uma presa e um caçador. A presa a jovem Jill (Camilla Belle) e o caçador, um estranho que insiste em telefonar-lhe, ora perguntando pelas crianças, ora simplesmente respirando pesadamente ao telefone.
Ao final de contas, para uma premissa tão simples (sendo que o original tinha ainda uma elipse interessante, anos depois) era preciso arranjar algo mais. E Simon West fê-lo. A casa dos Mandrakis, misto de verdadeiro santuário hightech e belissimamente decorada, é claramente a personagem mais expressiva de todas. O problema é que, três minutos após Jill ter chegado à casa, e desta lhe ter sido mostrada com enorme rigor, nós percebemos que daí em diante, cada divisão um susto. Esta é a regra do jogo. Mais, até podemos adivinhar como ou onde se vai dar cada susto quando lhe/nos mostram a casa dos hóspedes, o espaço verde com imensos pássaros e peixes ou o gato, que dizem estar sempre por ali. Depois nos restantes setenta minutos o que Simon West faz, filmando a belíssima casa e a protagonista atendendo o telefone de minuto a minuto, é preencher os espaços já advertidos, mas deixados em branco.
Simon West persegue aqui, claramente e ainda, o sucesso já longínquo de “Con Air” (já lá vão quase 10 dez anos). No entanto, está longe de o conseguir, com uma obra globalmente fraca e onde a tensão anda arredada desde o primeiro minuto. Não faltam os velhinhos sustos chapa quatro, com o gato negro que salta ou o carro que não pega, que fizeram saltar tantas adolescentes de permanente para o colo dos respectivos namorados, em saudosos drive-ins em anos idos. Actualmente, é mais uma pipoca pela garganta abaixo. Neste embalado de terror descafeinado para jovens, sem o charme de séries B de outros tempos, salvam-se apenas um ou outro pormenor na relação de “fusão” do cineasta com a casa, ou o apostar no prólogo inicial, tão intrigante quanto interessante.
No final, fica para a história mais um remake e muitas saudades de outro estranho, de nome Mike Meyers que nem sequer telefonava. Para “When a Stranger Calls” adivinha-se que a conta do telefone tenha sido alta… fazendo pena o tanto que ficou por dizer… ..…3/10…Carlos Natálio

