‘Le Petit Liutenant’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

“Le Petit Liutenant” segue a história de um grupo de agentes da policia judiciária francesa, dando particular atenção a duas das suas diversas personagens.

Elenco

Nathalie Baye, Jalil Lespert

Realizado por: Xavier Beauvois

Crítica

Antes de começar a falar “Le Petit Liutenant” convém referir que esta foi a única – das cinco obras nomeadas aos Cesars de 2005, que não estreou em cinema em Portugal. E é uma pena, pois “Le Petit Liutenant” é um pequeno grande filme que o público em geral deveria conhecer.

Mas para isso mesmo existem os videoclubes, que apesar de na maioria dos casos – e no que toca filmes lançados directamente para este circuito, estarem repletos de material de 2ª linha, lá vão conseguindo ter em “exclusivo” algumas obras bem curiosas.

Passando ao filme, “Le Petit Liutenant” segue a história de um grupo de agentes da policia judiciária francesa, dando particular atenção a duas das suas diversas personagens.

A primeira a ter algum destaque é Antoine, um jovem que abandonou Le Havre para ser um polícia na capital francesa. Este é um homem na chamada fase excitante da sua carreira, que vibra com cada oportunidade que lhe dão para exercer a sua profissão, e que tem – como um colega diz, o uniforme no cérebro.

Paralelamente acompanhamos também o regresso de Caroline Vaudieu à polícia – após uma ausência devido a problemas com o Álcool. As vidas destes dois agentes vão-se cruzar quando ela o escolhe para o seu grupo de combate ao crime – o que agrada bastante a Antoine.

Porém, um corpo num canal vai trazer problemas acrescidos a este grupo de polícias, que através da fulminante câmara de Xavier Beauvois nos vais mostrando com algum realismo o que é ser um polícia nos nossos tempos, recorrendo para isso a inúmeros detalhes que enriquecem em muito a narrativa.

Convém dizer que, e apesar deste enredo, este não é um filme sobre policias e ladrões, mas acima de tudo uma obra que tenta mostrar sem recorrer a caricaturas ou excessos o que é ser um agente da judiciária.

E apesar de podermos afirmar que este filme não está repleto de personagens muito profundas – afinal de contas só conhecemos uma parte dos seus problemas, “Le Petit Liutenant” triunfa porque tem a noção do que quer mostrar, nunca perdendo o seu rumo, nem caindo em elementos exploratórios. A vida de um polícia é complicada, disso ninguém tem dúvida, mas o que sobressai neste trabalho são as migalhas da sua personalidade, que bem articuladas criam um filme cujo interesse se mantém do início ao fim.

Para isso, e para além das excelentes indicações que Xavier Beauvois deu na realização, em muito contribuíram os dois actores principais (Nathalie Baye, Jalil Lespert), que conseguiram protagonizar de forma bastante segura os seus papéis.

Como tal, este é um filme que merece bem uma visita ao clube de vídeo, e que prova que o cinema francês anda muito cuidadoso, e com um certo primor, quando aborda os pequenos detalhes das suas forças da lei.

Foi assim em “36 Quai des Orfevres”, é assim em “Le Petit Liutenant” …8/10…. Jorge Pereira

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