Quando o filho favorito da família Stone leva a namorada para passar o Natal, eles imediatamente ganham ódio à rapariga, uma menina da sociedade que vai trazer muitos problemas.
Elenco
Claire Danes, Diane Keaton, Sarah Jessica Parker
Realizado por Thomas Bezucha
Crítica
“The Family Stone” é o segundo filme de Thomas Bezucha (autor também do argumento), o que é no mínimo surpreendente. Por um lado, por nunca ter ouvido falar do seu primeiro projecto (o que até acaba por ser natural, pois trata-se de um filme “indie” e esses ainda agora vão chegando a conta-gotas às salas); e por outro, pela maturidade e segurança que já demonstra na altura de superar os lugares comuns de um género que parece já não ser encarado com bons olhos há muito tempo salvo raras excepções – como esta, espero eu.
Os lugares comuns estão lá, como sempre estiveram desde o início e sempre estarão presentes (e ainda bem), caso contrário não seriam tão comuns, certo? – o que muda é a maneira como estes são usados. Bezucha tem sempre o cuidado de nunca banalizar o que por si só já tinha potencial para ser banal e “cliché” (por já ter sido feito vezes sem conta e com resultados díspares), e nunca cai na tentação de transformar as suas próprias personagens em caricaturas, conferindo ao filme uma genuidade raramente vista no panorama cinematográfico actual americano – sobretudo tendo em conta que se trata de um filme “comercial”, o que limita ainda mais a lista. Estamos claramente perante um filme fortemente apoiado numa matriz clássica – a de um encontro familiar natalício onde o filho mais velho se prepara para apresentar a sua nova namorada à família, estando a pensar em pedi-la em casamento. Como costuma acontecer na grande maioria destes casos, a família tem problemas em aceitar este novo elemento. As parecenças iniciais com “Meet the Parents” (e a sua sequela) e “Monster-in-Law” são inevitáveis, embora “The Family Stone” comece logo por surpreender ao introduzir-nos uma família que se orgulha de ser bastante liberal. Nada contra o filme protagonizado por Ben Stiller e Robert De Niro (antes pelo contrário – até sou dos seus defensores), mas este filme não é “Meet the Parents”, por muito que tal aparente – mesmo ao assistir ao trailer do filme…
Sem querer revelar muito mais da história, digo apenas que o argumento de Bazucha é um prodígio de elegância e eficiência como é difícil de encontrar nos dias de hoje, recuperando uma tradição clássica tipicamente norte-americana há muito esquecida (com a vantagem de poder falar mais abertamente sobre certos tópicos), sabendo misturar nas doses ideais o drama com a comédia sem nunca desprezar as personagens. A família em si contagiou-me logo de imediato e para tal todo o elenco (sem qualquer excepção, neste caso) executou uma parte fundamental. E por onde começar, perante um elenco tão forte como este? Todos eles merecem menções individuais, desde a magnífica Diane Keaton (a caminho de um segundo Oscar?) até ao regresso em peso de Craig T. Nelson, passando por uma Sarah Jessica Parker de volta aos grandes papéis no grande ecrã, uma Rachel McAdams a tornar-se aos poucos na melhor actriz da sua geração – embora Claire Danes seja uma adversária à altura para esse título, os surpreendentes Dermot Mulroney e Luke Wilson, as revelações de Tyrone Giordano, Brian J. White, Elizabeth Reaser e Savanna Stehlin e a confirmação de Paul Schneider (após ter assistido a “Elizabethtown”) como um dos talentos a ter em conta no futuro.
Se anda à procura do filme ideal para a quadra natalícia, não precisa de procurar mais. “The Family Stone” condensa gargalhadas e lágrimas numa fusão genuína como há muito não se via, ao mesmo tempo que nos faz revalorizar a importância da nossa família (e das relações humanas) para a nossa vida. Absolutamente indispensável para quem já sentia falta de uma excelente “dramédia”. …9/10 André Gonçalves

