“Rize” é um documentário sobre um fenómeno de dança que apareceu nas ruas dos bairros pobres de Los Angeles: o krumping.
Elenco
Realizado por David LaChapelle
Crítica
“Rize” é um documentário poderoso, sobre um fenómeno de dança que apareceu nas ruas dos bairros pobres de Los Angeles. A enorme Los Angeles, a cidade de Beverly Hills e Rodeo Drive, lar da mais famosa indústria de cinema do mundo, é também uma conurbação que se estende por quilómetros e quilómetros e tem no seu centro, deprimido e degradado, um barril de pólvora alimentado por tensões sociais e raciais, que já explodiu anteriormente (em 1965, em plena luta do movimento dos direitos civis, e em 1992, motivados pelo incidente com Rodney King). O cinema não tem ficado alheio a esta realidade, e ainda recentemente tivemos oportunidade de ver uma abordagem às tensões raciais da “Cidade dos Anjos” em “Crash” de Paul Haggis.
LaChapelle, fotógrafo de moda, realizador de videoclips, iconógrafo pop, desceu aos “guetos” negros de Los Angeles, dominados por gangs, para mostrar uma nova forma de expressão contra a opressão, uma dança ao mesmo tempo agressiva e espectacular, tão acelerada que o documentário começa por dizer que nenhuma imagem foi manipulada, para que o nosso espanto não tenha reservas.
Clowning ou krumping, conforme os praticantes, esta dança visceral remete para o hip hop tanto para quanto as danças tribais africanas, e LaChapelle ficou tão fascinado com a energia que se desprende dos miúdos dos guetos, que procurou explicar a origem e evolução da dança em “Rize”, evolução que continua porque todos os dias surgem coisas novas. E o fascínio pelos corpos em transe, sempre presente na forma como LaChapelle filma, dá lugar a uma reflexão sobre o poder da dança na vida de crianças e jovens que são potenciais membros de gangs, na dança como expressão de emoções, escape de tensões, violência e desespero.
Não existe em “Rize” uma análise das tensões raciais, dos mecanismos socio-económicos e raciais da exclusão, mas existe a consciência da exclusão partilhada por todos os protagonistas, a espiral de pobreza e crime nas histórias familiares, e os mecanismos disponíveis para evitar ou sair do mundo da violência e dos gangs, que parecem não ir além da dança e da igreja.
O poder de “Rize” vem directamente da beleza das imagens, da energia da dança, da colaboração natural entre o realizador e as pessoas que filma e da confiança (fé?) na dança como forma de sair do gueto. Sairá o krumping do gueto?… 7/10… Patrícia Gomes

