Drama histórico baseado numa das obras do Prémio Nobel Imre Kertész, sobre a epopeia de uma criança judia húngara durante o Holocausto Nazi.
Elenco
Marcell Nagy, Béla Dóra, Bálint Pentek, Daniel Craig
Realizado por Lajos Koltai
Crítica
Baseado na autobiografia do vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2002, Imre Kertesz, “Fateless” segue a história de um rapaz, Gyura Koves (Marcell Nagy), que vê a sua família separar-se durante a 2ª Guerra Mundial, e acaba ele próprio por viajar por alguns campos de concentração.
O filme começa assim na Hungria, onde começam os primeiros sinais que os judeus são considerados um povo a temer e um bando de negociantes sem escrúpulos. Assim, e de acordo com os alemães, é necessário juntá-los todos e assassinar aqueles que não servem para trabalhar para eles.
Obviamente que os judeus não fazem ideia disto, e a forma passiva como vão assistindo a estas transformações na sociedade, aliado aos milhares de boatos e rumores que vão surgindo, leva mesmo muitos a questionar qual o seu papel no mundo, enquanto judeus.
Mas “Fateless” aborda também outras questões, como o nacionalismo, e mais que uma viagem pelos campos de extermínio, é um guia de como sobreviver a eles, caso se tenham algumas capacidades específicas.
Um dos maiores exemplos disso é quando um homem diz a Gyura o fundamental para sobreviver. A forma física é sem dúvida essencial, tal como a higiene ao máximo, de maneira a evitar várias doenças, mas o ponto mais sublinhado é a necessidade de uma grande auto-estima.
E assim seguimos o jovem Gyura por Auschwitz e Buchenwald, sendo este um campo, como ele define, campónio e muito pequeno. Aqui assistimos em dezenas de sketchs dramáticos – sempre trabalhados exemplarmente pela montagem, a vida de Gyura e de quem o rodeia, havendo pormenores de realização verdadeiramente espantosos, e nunca caindo em sentimentalismos baratos.
Para isso muito contribuiu a banda-sonora de Ennio Morricone, a fotografia de Gyula Pados, um homem que já se tinha destacado em “Kontrol”, e o sentido estético de Lajos Koltai, um director de fotografia que se estreia aqui na realização.
Mas é no carácter ambíguo de algumas questões, que nunca têm uma resposta fácil, que o filme triunfa, sendo porém importante referir, que mesmo que quisesse, seria complicado a “Fateless” fugir ao tom derivativo que tem de obras como “The Pianist” e “Shindler´s List”.
Como tal, e por diversas vezes, temos aquela sensação que estamos a assistir a apenas mais um filme sobre o Holocausto…desta vez húngaro.
De qualquer maneira, e sem qualquer dúvida, “Fateless” é uma obra interessante de visionar, pois há coisas que nunca devemos esquecer… 6/10 Jorge Pereira

