“The World’s Fastest Indian” por Victor Melo

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

O neozelandês Burt Monro dedicou parte da sua vida à construção de uma motocicleta. Depois de pronta, ele usou-a para estabelecer um recorde de velocidade nos anos setenta. Baseado numa história verídica.

Elenco

Anthony Hopkins, Juliana Bellinger, Chris Bruno

Realizado por Roger Donaldson

Crítica

Não tens medo de morrer num acidente com a tua mota? – pergunta o pequeno Tom, num misto de inocência e preocupação.
Burt finca os seus olhos nos do seu pequeno amigo, esboça um leve sorriso no leito enrugado da sua face e responde: – Não… vives mais em cinco minutos com uma mota destas no limite, do que muita gente numa vida inteira.

Burt Munro foi um notável Neozelandês, apaixonado pela velocidade, que sonhava bater o recorde mundial. Para esse efeito modificou uma envelhecida “Indian” de 1920. Num velho barracão de madeira perdido nos confins de Invercargill, uma pacata cidade na costa sul da Nova Zelândia, o sexagenário – com um coração débil mas nutrido por borbulhante determinação – produziu com as próprias mãos as peças que dotaram a sua mota de uma força equivalente ao seu espírito.

Roger Donaldson, compatriota de Munro, escreveu e realizou “The World’s Fastest Indian”, um filme biográfico que retrata os feitos do caricato velocista.
Ao longo de duas horas e meia, a fita conta-nos com ternura a história de Burt Munro, com uma voz meiga e enternecida. Uma narrativa repleta de sensibilidade, com um ritmo suave mas cativante, e povoada com personagens com forte densidade emocional.

Anthony Hopkins dá vida a Burt Munro. Mais uma performance magistral para adicionar à sua carreira excepcional. Durante todo o filme o actor irradia carisma, afeição e simpatia, características peculiares da individualidade que retrata.
A interpretação foi tão genuína que os filhos de Munro – numa visita ao set de filmagens – derramaram lágrimas ao comprovar a assombrosa verosimilhança com o seu falecido pai.

“The World’s Fastest Indian” é essencialmente um filme humano, onde todas as personagens adquirem um contorno importante no fio narrativo. Cada pessoa que Munro encontra na sua jornada é como um pequeno sopro de esperança que impele o seu sonho. E, quase sempre, o sopro é recíproco.

O visionamento de “The World’s Fastest Indian” despertou-me uma vontade incontrolável de rever um dos filmes da minha vida, “The Straight Story” de David Lynch.
Não apenas pelo paralelismo de ambos os argumentos, onde ambas as personagens são idosas e partem em odisseias tingidas pelo espesso cinzento da improbabilidade, mas pela forte componente humana, pela afectuosidade de cada plano, pela ternura de cada sequência, pela beleza com que ambas as películas foram filmadas.

“The World’s Fastest Indian”, o retrato cinematográfico dum homem que – segundo as palavras de Paulo Coelho na sua obra “O Alquimista” – parte em busca da sua «lenda pessoal». E, nessa incessante demanda, demonstra que a carne envelhece, mas o espírito humano e o sonho permanecem para sempre joviais. 7.5/10 Victor Melo

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