O veterano Tony Scott realiza este thriller de acção baseado na história real de Domino Harvey, que será interpretada por Keira Knightley. O filme baseia-se num argumento escrito por Richard Kelly, realizador e argumentista de “Donnie Darko”, o que representa mais uma razão para nos deixar ansioso pelo resultado. Keira interpreta a filha do actor lituano Lawrence Harvey, que abandonou a carreira de modelo (deixando para trás os privilégios de Beverly Hills) para se tornar numa caçadora de prémios.
Elenco
Keira Knightley, Mena Suvari, Christopher Walken, Lucy Liu, Mickey Rourke, Macy Gray, Jacqueline Bisset, Edgar Ramirez, Mo’Nique, Shondrella Avery.
Realizado por Tony Scott
Crítica
Estreado no Fantasporto, e inserido na semana dos realizadores, “Domino” demonstra que Tony Scott está cada vez mais a fortalecer e a evidenciar o visual dos seus filmes, nem que para isso tenha que sacrificar tudo, como histórias interessantes ou actores consagrados.
Tudo começou ainda nos anos 90, quando a verdadeira Domino Harvey vendeu os direitos a Scott da sua biografia, que só sairia em 1997. Durante algum tempo, a actriz escolhida para esse papel foi Sharon Stone, que abandonaria o projecto devido aos constantes adiamentos do projecto.
Em 2002, Richard Kelly (Donnie Darko) apresentou a Scott um novo guião, e a ideia avançou, não antes que um outro filme, que também há muito estava coagitado, “Man on Fire”, avançasse. Chegados a 2005, o filme arranca, e segue a história de uma jovem que abandonou o mundo da moda e o estilo de vida da sua família com posses para ser uma caçadora de prémios.
No filme seguimos o seu dia a dia, contado pela pópria: os perigos da sua profissão, a estreita linha que separara estes homens da lei, dando porém algum ênfase no seu relacionamento com os seus parceiros e patrão.
Tudo isto é trabalhado de forma frenética por Tony Scott, que infelizmente destrói este trabalho quando o transforma num videoclip/trailer de 2 horas.
Algo semelhante já acontecia no seu filme anterior, “Man on Fire”, mas “Domino” é um descendente com esteróides que soam bem, e dão uma certa unicidade ao filme inicialmente, mas que o tornam um objecto tremendamente aborrecido passados apenas 30 minutos.
E quando as coisas assim são, quando temos uma cinematografia e montagem tão sufocantes, então o culpado é muito óbvio.
Convém fazer porém um comentário aparte. Scott já foi um dos grandes mestres do cinema de acção, destacando-se em obras como “48 Horas” ou “Perigo Público”. Aí, o que atraía o espectador era alguma inteligência da narrativa, e uma forte componente de entretenimento. “Domino” é o oposto disso.
Quem também não ajudou nada foi a escolha da protagonista principal, Keira Knightly, que apesar de ser uma actriz que aprecio desde os tempos em que dava chutos numa bola, não me parece de todo ser convincente neste papel. Já Mickey Rourke, renascido das cinzas, volta a estar bem, sendo a sua personagem inspirada em Zeke Unger, outro caçador de recompensas bastante famoso.
Delroy Lindo também anda por lá, cumprindo o seu texto, mas nunca chegando ao nível de outras boas interpretações com que já nos presenteou.
Assim, e em jeito de conclusão, e de forma a rematar com aquilo que penso deste filme, há que dizer, com toda a sinceridade, que “Domino” tem uma boa história, e só é pena é que Scott pareça estar com uma crise de meia-idade cinematográfica. É demasiado efeito e trabalho de montagem para um filme só…É que chega a ser cansativo…
Perfeitamente dispensável, e este é o primeiro filme que afirmo que bem merecia um remake… 4/10…. Jorge Pereira

