Man to Man” é uma co-produção entre a França e a Grã-Bretanha que conta a história dum grupo de antropologistas que viajam até África no século XIX à procura da ligação entre o Homem e os macacos.
Elenco
Joseph Fiennes e Kristin Scott Thomas
Realizado por: Regis Wargnier
Crítica
África Central, 1870. Um antropólogo escocês (Joseph Fiennes) e uma aventureira mulher (Kristin Scott Thomas) procuram no interior das florestas o elo de ligação entre o macaco e o homem. Eles acreditam que a resposta à evolução do homem, e à teoria da superioridade racial, está nos pigmeus. Assim capturam dois, um homem e uma mulher, e levam-nas para a “civilização”. É aí, perante outros dois estudiosos, que começam os testes “nestes seres” (como são definidos no filme), com o objectivo de apresentar uma boa teoria científica, que passe a figurar nos manuais e os torne famosos.
Este filme segue a linha das obras em que se questiona a teoria racial e se procura discutir até onde vão os limites às descobertas científicas. O objectivo dos estudiosos é a fama, e não a verdade. Não é assim à toa que entre o grupo comecem a haver dúvidas, e lutas, especialmente à medida em que o tempo passa e eles começam a conhecer melhor as “suas cobaias”.
Realizado por Régis Wargnier (“Indochina”), “Man To Man” é um filme que se preocupa demasiado em mostrar o que é errado e o que é certo. Eu nunca critico os cineastas que tentam transmitir uma opinião. Critico é a forma e o problema aqui é que o filme se perde em intelectualismos científicos, e desaproveita todo o sentimento e força humana que a obra podia ter. Não peço “dramalhões”, peço mais coração, que quando bem doseado acaba sempre por marcar. E marcar é coisa que “Man To Man” não consegue, nunca saindo assim de uma inércia didáctica que fragiliza a nossa ligação ao filme como espectadores. Por outro lado, creio que há algum desaproveitamento de personagens, como a de Elena Van Den Ende. A mudança de opinião de Jamie Dodd é também atabalhoada e pouco acompanhada.
No fundo, acaba por ser uma melhor ideia que resultado. É um pouco como o trio de cientistas. Se tentassem encarar a esperiência pelo lado que Dodd sugeriu teriam sido famosos. Assim não passaram de idiotas em busca da fama…a qualquer custo…5/10 … Jorge Pereira

