“The Gospel of John” por Patrícia Gomes

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Literal recriação do Evangelho de João.

Elenco

Henry Ian Cusick, Scott Handy, Stuart Bunce, Lynsey Baxter

Realizado por: Philip Saville

Critica

“The Gospel of John” é um filme que conta história da vida de Jesus, do seu nascimento à morte e ressurreição, conforme descrita pelo apóstolo João no seu evangelho. Realizado por Philip Saville, que tem uma impressionante carreira de meio século na realização televisiva e se encontra neste momento a produzir “The Gospel of Mark”, este filme foi lançado em 2003, antes do mediático “The Passion” de Mel Gibson, tendo então obtido resultados modestos. O sucesso do filme de Gibson não será pois alheio à distribuição e estreia deste filme noutros mercados.

Os principais trunfos do filme são a recriação cuidadosa da época de Jesus, o tom épico emprestado por um elenco de cerca de 75 actores e 2000 figurantes, e uma banda sonora poderosa e comovente nos momentos certos. Por outro lado, a adaptação palavra por palavra do evangelho de João (American Bible Society’s Good News Translation) é uma opção ousada e que tem os seus custos. A força do filme é dada pela história mas as suas fraquezas narrativas, que são muitas, resultam da “leitura” do texto. O narrador, Christopher Plummer faz um excelente trabalho, mas não consegue impedir que o filme pareça demasiado longo e aborrecido, até pela enorme quantidade de repetições (“em verdade vos digo” e variantes é repetido até à exaustão). Não é o facto do evangelho de João ser o mais incompreendido e aquele que enfatiza a crença em Jesus como caminho para salvação que prejudica o filme, mas sim porque existem diferenças importantes entre um texto, sobretudo um com este carácter e com centenas de anos e um guião eficaz para cinema, e por muito esforçada que seja a realização, não consegue ultrapassar esse facto. Além disso, a tradução para português prejudica ainda mais o filme, não sendo fiel ao que os personagens dizem e parecendo demasiado conservadora, uma vez a tradução inglesa caracteriza-se pelo esforço de tornar a linguagem usada compreensível.

Outro pormenor relevante num filme que se afirma pela fidelidade às escrituras no que é dito, e que por isso teve o reconhecimento e apoio de católicos e cristãos no geral, é a subversão dessa fidelidade no que é mostrado, nomeadamente a intrigante e dúbia presença de uma mulher, Maria Madalena, no meio dos apóstolos durante a última ceia ou no Jardim das Oliveiras quando Jesus é preso pelos romanos.

“The Gospel of John” é portanto um documento de três horas com interesse para cristãos e não cristãos que queiram praticar a virtude da longanimidade. .…5/10 Patrícia Gomes

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