“The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” por carla Calheiros, Jorge Pereira e Patrícia Gomes

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Começou por ser um programa de rádio, e passou a livros dividido em cinco partes. Já foi uma mini série, um video jogo e chega em 2005 ao grande ecrã. Falamos de “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy”.

Arthur Dent (Martin Freeman) está a ter um mau dia, e ainda por cima descobre que o Planeta Terra vai ser demolido para dar lugar a uma nova auto-estrada espacial, e tudo isto graças a Ford Perfect (Mos Def), o seu amigo extraterrestre que está na Terra há 15 anos a fazer pesquisa sobre o nosso planeta. No últimos instantes, ambos conseguem apanhar boleia na nave Vogon. Na sua estranha viagem, Arthur e Ford encontram a ajuda inesperada de personagens estranhas como o presidente galáctico Zaphod (Sam Rockwell) – com duas cabeças bastante confusas – , a namorada deste, Trillian (Zooey Deschanel), e um robot depressivo. Arthur descobrirá ainda a verdadeira história da Terra e a resposta ao sentido da “Vida, o Universo e Tudo Mais”.

Elenco

Martin Freeman, Mos Def, Sam Rockwell

Realizado por: Garth Jennings

Críticas

O fenómeno HHGG começou há quase trinta anos num programa de rádio que deu origem a uma “trilogia” de cinco livros. No entanto, quem nunca leu “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy”, como é o meu caso, não tema em ficar perdido no meio desta aventura espacial. A história nasceu da imaginação delirante de Douglas Adams, que embora falecido em 2001 participou de perto no argumento final do filme. Já pensou no que passa pela cabeça de uma baleia em queda livre pelo espaço? E sabia que a resposta à derradeira pergunta do Universo é 42?

Tudo começa na Terra, escassos minutos antes do planeta ser demolido. O aviso de que o fim estava próximo foi dado pelos golfinhos, que têm direito ao seu próprio número musical. O filme começa assim e sabemos que a partir dali, tudo pode acontecer.

Arthur Dent (Martin Freeman) está a ter um mau dia, mas escapa à destruição terrestre graças ao amigo Ford (Mos Def) que na realidade é um extra-terrestre. Armados com toalhas (arma muito temida por várias civilizações galácticas), partem pela galáxia até serem recolhidos pela nave do Presidente Zaphod (Sam Rockwell), onde encontram ainda Trilliam (Zooey Deschanel) e o robô Marvin (Warwick Davis, com voz de Alan Rickman).

A verdade é que este HHGG é a espaços um filme genial, um humor brit completamente absurdo a lembrar e muito os “Monty Pithon”, onde há pormenores absolutamente deliciosos que mais vale o espectador descobrir por si. O mais engraçado são as peculiaridades das suas personagens, onde os Vogons acabam por ser os mais semelhantes aos humanos. Destaque ainda para a personagem interpretada por John Malkovich, Humma Kavula, capaz de nos provocar alguma ilusão de óptica.

É disto que vive “The Hitchicker’s Guide to the Galaxy”, destes momentos delirantes que nos fazem rir, que o transportam à genialidade. Mas é igualmente o seu maior pecado, pois os restantes momentos ficam uns furos abaixo do esperado e acabam por tornar o filme desequilibrado no seu todo. De resto, a história é o elo mais fraco desta obra, um argumento simples, muito simples mas bem temperado.

Outra das virtudes deste filme foi a aposta por “criaturas” reais, sem ceder à natural facilidade da animação por computador, um ponto que joga, sem dúvida, a seu favor. De resto, as interpretações do núcleo duro não deslumbram nem desiludem. Mas, a verdade é que a personagem mais carismática do filme é Marvin, o pequeno e cabeçudo robô maníaco-depressivo, capaz de arrancar as maiores gargalhadas da sala, numa tremenda interpretação vocal de Alan Rickman. Ao leme está o estreante Garth Jennings, que sem inventar a “roda” tem aqui uma sólida primeira obra que deixa alguma expectativa para os projectos futuros.

Para completar, há que dizer que as reacções a este HHGG devem ser semelhantes às de um filme já estreado este ano: “The Life Aquatic with Steve Zissou”. Haverá quem ame, e quem pura e simplesmente odeie. Uma coisa é certa, quem espera duros confrontos espaciais, muita acção e cenas de luta talvez deva passar ao lado, pois “The Hitchicker’s Guide To the Galaxy” é uma comédia, e das boas. …..7/10… Carla Calheiros

Críticas

Arthur Dent (Martin Freeman) está a ter o pior dia da sua vida. A mulher por quem se enamorou desapareceu com um estranho homem, que mais parece uma estrela pop dos anos 70, e a sua casa prepara-se para ser demolida devido à construção de uma estrada. Para piorar, o seu melhor amigo (Mos Def) revela ser um extra-terrestre e faltam 10 minutos para o Planeta Terra ser destruído.

Na realidade, os humanos foram toscos. Há muito tempo (50 anos) que num departamento espacial estava estabelecido que o planeta seria destruído, dando lugar a uma auto-estrada espacial. Espertos foram os golfinhos, a segunda espécie mais inteligente do planeta, que abandonaram a Terra mal souberam da novidade. “Adeus e obrigado pelo peixe”, foi a mensagem deixada por estes.

Em todo o seu esplendor, “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” é uma das melhores comédias “non sense” dos últimos anos. O filme apresenta um humor britânico sobrenatural, utilizando a ironia e a crítica social para mostrar que a nossa civilização tem muito por onde gozar. Basta ver a política de expropriação da Terra, o típico funcionalismo público burocrático (representado nos Vogans – uns seres horrendos, que tentam em vão vingar na poesia), o chip de representação emocional de Marvin (um robô maníaco-depressivo), e a eterna busca humana pela “derradeira resposta a tudo isto, sem saber bem o que perguntar”. E isto são apenas alguns detalhes, pois esta é uma comédia com uma tremenda ironia por trás de tudo.

Iniciado na rádio, continuado em livros e agora no cinema, “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” é, por excelência, um exercício hilariante e mesmo inspirador (não é à toa que o tradutor universal utilizado no filme chama-se Babel Fish) nos tempos que correm. Faz falta este tipo de humor, que parece cada vez mais vingar na TV, e afastar-se do cinema.

Com prestações aceitáveis dos actores principais (Freeman e Def), acabam por ser Sam Rockwell e a voz de Alan Rickman (Marvin) que dão “show”, num filme riquíssimo em criatividade, e que só peca por não saber equilibrar as doses de acção e humor, caíndo na inevitável forma de apresentar demasiada informação para uma obra só – que funciona bem na literatura, mas não tão bem no cinema).

A não perder…e não se esqueçam de levar o Guia da Galáxia, pois pode, a qualquer momento, ser necessário sair daqui …..7/10…Jorge Pereira

Crítica

“The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” é a adaptação ao cinema de um fenómeno com múltiplas manifestações, que incluem programas de rádio, jogos de vídeo ou até uma toalha, sendo a mais óbvia para as comparações com filme, os livros. É uma experiência muito comum ter dificuldade em digerir filmes baseados em livros que gostamos muito porque dificilmente o filme resiste a comparações com o livro, e sobretudo com o “que poderia ter sido”. Entre a desastrosa adaptação da “The House of the Spirits” (“A Casa dos Espíritos”), um mau filme com ou sem comparações com o livro que lhe deu origem, e a brilhante adaptação de Peter Jackson do universo “Lord of the Rings”, que até o fã mais exigente reconhece que seria complicado fazer melhor, há aqueles filmes que nos deixam uma impressão agridoce. Este é um deles.

“The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” é um objecto estranho, aliás, tal como o livro que lhe deu origem. Assume-se imediatamente como algo diferente na sequência inicial, algo propositadamente excêntrico, meio louco, excessivo, destravado, para depois se arrastar ao longo de duas horas com o ritmo quebrado muitas vezes pelas explicações necessárias para a compreensão deste universo, tão indispensáveis como divertidas, graças às animações. A crítica de costumes perde um pouco de impacto nesta versão para a comédia sem sentido, ou talvez seja tudo demasiado rápido para conseguir absorver as piadas mais processadas.

A realização de Garth Jennings aposta muitas vezes no exagero, como naquele interminável “zoom out” antes da terra ser destruída, mas a aposta é ganha em sequências como o passeio pela fábrica de planetas, simplesmente belíssima. As engraçadas/comoventes imagens da terra a levar os últimos retoques e o “reaparecimento” da vida são muito curiosas se pensarmos como Douglas Adams, o autor, se preocupava com o nosso ambiente (tendo escrito um livro sobre espécies em vias de extinção intitulado “Last Chance to See”).

O elenco, provavelmente um dos quebra-cabeças para este filme, tem pontos altos e baixos. Se Mos Def e Martin Freeman, respectivamente Ford Perfect e Arthur Dent, cumprem sem deslumbrar e Sam Rockwell consegue alguns momentos muito bons, a verdade é que Zooey Deschanel causa uma fraca impressão como Trillian, mais à deriva do que as outras personagens, provavelmente devido ao maior protagonismo (comparativamente ao livro).

Para os poucos fãs da obra de Douglas Adams em Portugal, o filme será obviamente indispensável, mesmo que seja muito diferente dos livros. Para todos os outros, com todos os seus pontos fracos, não deixa de ser um proposta muito curiosa, provocadora e estimulante e uma iniciação à boleia pelo universo. Encontramo-nos no restaurante no fim do universo? …7/10 …Patrícia Gomes

Últimas